Brasília, 11 (AE) - O Tesouro Nacional quer dobrar o prazo médio dos títulos públicos federais até o final deste ano. O objetivo é fechar o ano com um prazo médio de 18 meses. "A meta é ambiciosa, mas factível", disse hoje o secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa. O prazo médio dos títulos públicos está em torno de nove meses. Na avaliação do secretário
o cenário positivo da economia brasileira abriu espaço para o alongamento da dívida pública. "A perspectiva econômica extremamente favorável, com o aumento da credibilidade no País, aumentou o consenso e o julgamento do mercado sobre a trajetória das principais variáveis da economia e permitiu o aumento da venda de papéis prefixados com prazos mais longos", afirmou.
Barbosa disse que o Tesouro Nacional quer aproveitar o bom momento econômico vivido pelo País para consolidar uma estrutura de endividamento de prazos mais longos e com uma composição mais forte de papéis prefixados.
O secretário afirmou que não vai abrir mão da cautela no processo de alongamento dos prazos dos títulos públicos. "A idéia é continuar nesse processo bastante cauteloso, mas firme"
disse ele. Apesar da cautela, o secretário não descarta a possibilidade de o Tesouro oferecer Letras do Tesouro Nacional (LTNs) com prazo de dois anos ainda em 2000. "Eu acho factível, mas vamos observar as condições de mercado porque tem que haver interessados em comprar o papel", observou.
O Tesouro pretende ofertar já em março próximo, por meio do sistema de oferta firme, LTNs com prazo de 18 meses, caso os leilões dos papéis de um ano sejam bem-sucedidos em fevereiro. "Nós somos vendedores e, portanto, temos que escutar o mercado com frequência e ver como os agentes estão recebendo os nossos papéis e nos moldar ao perfil da demanda", ponderou o secretário. Ele ressaltou que os últimos leilões do Tesouro mostraram que há "um grande apetite" do mercado por papéis de longo prazo.
Barbosa afirmou ainda que o crescimento do mercado secundário de títulos, com a implementação da negociação eletrônica pela Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, vai acelerar o processo de alongamento do prazo da dívida em títulos públicos. "No momento que o mercado secundário crescer, ajudará a colocação no mercado primário", disse ele.
Segundo Barbosa, os dois mercados funcionam como se fossem vasos comunicantes: "o investidor que comprar papel mais longo no mercado primário se sente mais seguro porque tem um secundário com mais liquidez e visibilidade", afirmou. Com um mercado secundário ativo, o investidor tem um risco menor de ficar "travado" na sua posição em títulos mais longos, caso precise, por algum motivo, vendê-los.
Na avaliação do secretário, essa segurança maior do investidor permitirá a redução do prêmio pedido pelo investidor nos leilões. "O investidor vai pedir um prêmio de risco menor por estar comprando um ativo que tem mecanismo de saída no mercado secundário", avaliou.
O secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Isac Zagury, acredita que as Notas do Tesouro Nacional - série C (NTN-C) deverão ser tornar a "blue chip" do mercado secundário eletrônico de títulos públicos. "Não tenho dúvida que a NTN-C será a grande blue chip do mercado secundário eletrônico", disse Zagury. "É o papel mais longo e que está aumentando a liquidez gradativamente", ressaltou.
Zagury previu que até o meio do ano o volume de NTN-C em mercado deverá estar entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões, garantindo uma boa liquidez no mercado secundário. Segundo Zagury, a expectativa é que daqui a três a quatro meses o mercado secundário eletrônico de títulos da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) esteja funcionando. "Até lá teremos um boa base de produtos para serem negociados no mercado: papéis prefixados de um ano, de 18 meses e papéis cambiais do Banco Central com prazo de dois e três anos", disse o secretário-adjunto do Tesouro.
Zagury afirmou ainda que o mercado secundário eletrônico vai movimentar um volume maior de papéis quanto mais rápido for o processo de alongamento da dívida. "Para esse mercado é importante ter produto e esses produtos são basicamente títulos prefixados com prazos mais longos", disse. Ele lembrou que o mercado secundário, nos últimos anos, foi reduzido em mais de 50% em função do encurtamento dos prazos dos papéis e uma concentração muito grande de papéis posfixados.

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