Rio, 7 (AE) - O Tesouro Nacional deve voltar a emitir, nas próximas semanas, títulos prefixados com prazo de pagamento de 182 dias, um alongamento de três meses em relação às emissões feitas atualmente. Este será um forte sinal de recuperação da economia, depois das crises internacionais, que trouxeram como uma das consequências mais visíveis o encurtamento dos prazos para pagamento dos títulos brasileiros emitidos no exterior.
Este ano, o Tesouro chegou a ensaiar uma recuperação, com dois leilões, em 11 e 18 de maio, o primeiro de US$ 500 milhões e o segundo de US$ 1 bilhão. Antes da crise asiática, em outubro de 1997, os chamados "prazo de maturação" dos papéis chegavam a 24 meses. Em maio de 98, estava em 12 meses e, depois da moratória russa, em agosto, o governo abandonou as emissões de longo prazo, porque havia um risco de concentração de vencimentos muito grande.
"Depois dos dois leilões de maio, as incertezas na Argentina fizeram o mercado ficar agitado, as taxas de juros internacionais começaram a subir tivemos de suspender as emissões, até porque se tratava de um papel muito novo", disse hoje o secretário do Tesouro, Eduardo Guimarães, em palestra promovida pela Associação Nacional de Instituições do Mercado Aberto (Andima) na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.
Segundo ele, a estratégia básica do governo é de dar ênfase aos papéis prefixados e ao alongamento da dívida. Ele afirmou, no entanto, que não há orientação para o uso destas emissões de mercado como mecanismo de financeiamrno da dívida brasileira.
"Isto serve apenas de benchmark (ponto de referência) para permitir curvas de juros de referência que venham facilitar a colocação de papéis privados brasileiros no exterior", informou.
A carteira de papéis do Tesouro continuarão a ser as LTNs (Letras do Tesouro Nacional), com prazos gradativamente crescentes, e LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), num prazo de dois anos, "eventualmente aumentando um pouco mais", como explicou Guimarães.
FMI - Entre as metas econômicas do governo que devem ser revistas na reunião desta semana com a missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), o secretário do Tesouro destacou a arrecadação com os leilões de privatização.
No fim do ano passado, o governo calculou em R$ 20 bilhões o montante a ser obtido, especialmente com a venda das empresas geradoras de energia. Este dinheiro seria prioritariamente utilizado para abatimento da dívida pública, outra meta prevista no acordo.
"Certamente esta meta de arrecadação não está garantida", disse o secretário. "Furnas vai (ser vendida), mas se arrasta; a Cesp é outro exemplo de que vamos ter (no processo de privatização) um ritmo menos rápido do que estávamos esperando", admitiu.
Ele argumenta, porém, que este atraso não porá em risco o alcance de superávit primário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB), previsto no acordo com o FMI. "Não há intenção de mudar esta meta, que independente da privatização", afirmou.
O secretário lembrou, ainda, que o comportamento dos juros e do câmbio está melhor do que o previsto. "Até agora, nada na área fiscal deixou de corresponder às expectativas, a não ser o problema com os inativos da Previdência", comentou. "Por isso, acahamos que chegaremos ao fim do ano cumprindo as metas.

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