Brasília, 25 (AE) - Depois de um leilão sem conseguir colocar Letras do Tesouro Nacional (LTN), o governo vendeu hoje integralmente o lote ofertado, no valor de R$ 1 bilhão, pagando uma taxa mais elevada que a Selic, o juro básico do mercado. A taxa média obtida hoje foi de 24,58%, enquanto a máxima chegou a 24,86% ao ano. A Selic está hoje em 23% e desde fevereiro, quando voltou a colocar LTN no mercado, o Tesouro sempre obtinha taxas abaixo da Selic para as LTN.
Na terça-feira passada, a taxa ficou em torno de 21%, e foi comemorada por ser a taxa prefixada mais baixa desde a eclosão da crise da ásia, em setembro de 97.
O secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães, explicou que o governo aceitou taxas acima da Selic, neste leilão, pelo fato de as ofertas estarem convergentes. Na última quinta-feira, quando o Tesouro ofereceu R$ 1 bilhão de LTN e não os vendeu, havia muita discrepância entre as taxas pedidas pelo mercado. "Quando a dispersão é muito grande, isso mostra que o mercado não sabe como formar a taxa, ou seja, há muita incerteza", comentou o secretário.
Embora dispersas, as taxas da quinta-feira estavam abaixo das ofertadas hoje, segundo admitiu.
Guimarães disse que o Tesouro poderia passar "várias semanas" sem vender papéis, porque tem uma folga no caixa de pelo menos R$ 50 bilhões. Esse é o valor estimado pelo deputado Sérgio Miranda (PCdoB-MG) mas está "um pouco subestimado", segundo o secretário, que não informa o saldo.
Mesmo assim, o Tesouro optou por vender papéis a taxas mais altas que a Selic para "interagir com o mercado", segundo definiu Guimarães. "Se queremos que o mercado funcione, um dia vendemos a taxas mais altas, mas antes havíamos vendido por taxas mais baixas, e assim sucessivamente", comentou.
O secretário disse que as taxas mais altas registradas nos dois últimos leilões mostram que o mercado tem expectativa de alta de juros no período de validade do papel (98 dias). Ele não quis comentar os rumores de que o governo estaria prestes a eliminar o viés de baixa nas taxas de juros.
Na próxima quinta-feira, o Tesouro volta a vender papéis. Serão ofertados R$ 1 bilhão em LTN de 96 dias e R$ 3 bilhões em Letras Financeiras do Tesouro (LFT).
Guimarães negou que o governo tivesse desistido de vender LTN de 180 dias. "A cada leilão, olhamos o horizonte para o leilão seguinte", explicou.
Enquanto as LTN, que têm a taxa prefixada, sofreram elevação de taxas devido ao nervosismo do mercado - as incertezas sobre a Argentina e a oscilação do índice Dow Jones, segundo o secretário - os papéis pós-fixados, as LFT, foram vendidos a taxas mais baixas no leilão de hoje, em comparação com a taxa obtida na última quinta-feira.
As LFT foram vendidas hoje a taxa média de 0,05% acima da Selic, enquanto no leilão anterior a taxa havia sido de 0,09% acima da Selic.

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