Tesouro: novo papel sai mês que vem e paga juro semestral
Brasília, 05 (AE) - O novo papel que será emitido já no próximo mês pelo Tesouro Nacional para substituir os 75 títulos securitizados que constituem a dívida contratual da União de R$ 26 bilhões deverá ter o seguinte perfil: pagamento de juros semestralmente e o principal na data de vencimento do papel, que deverá ser de sete anos - o prazo médio dos papéis securitizados que estão na carteira do Tesouro. Estas informações foram prestadas à Agência Estado pelo secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, e o secretário-adjunto, Isac Zagury.
Eles esclareceram que o Tesouro ainda manterá uma série de reuniões com representantes do mercado para concluir a definição do perfil do novo título. "A idéia é se ter um papel tradicional", disse Zagury. "Mas o perfil será negociado com o mercado", completou Barbosa. Isac Zagury informou, ainda, que a idéia é utilizar como indexador do novo papel o IGP-DI, índice já disseminado no mercado financeiro e também referência de vários dos papéis securitizados que serão trocados por meio de leilões.
A troca dos papéis securitizados poderá ser feita com deságio, na avaliação do secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, e do secretário-adjunto, Isac Zagury. Eles não quantificaram o deságio, mas apostam que haverá um grande interesse dos investidores em participar do leilão de troca. "Os investidores poderão utilizar o novo papel, que terá liquidez imediata", disse Zagury.
O leilão para a troca dos papéis securitizados será aberto a todos os investidores e não apenas aos detentores destes títulos. "É uma operação boa para o governo, porque limpa a carteira do Tesouro, e para os detentores do papel, que terão um título de liquidez garantida", disse o secretário-adjunto. Fábio Barbosa acrescentou que, do volume dos R$ 26 bilhões de dívida contratual que será trocada, cerca de R$ 10 bilhões se referem a parte da dívida junto ao FCVS que já foi reconhecida pela União.
O secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, disse ainda à Agência Estado que as medidas anunciadas ontem, resultado do estudo conjunto do Tesouro e Banco Central, vão permitir que o Tesouro se detenha na emissão de títulos para o financiamento da dívida pública, enquanto o Banco Central restringirá sua atuação à administração da liquidez no mercado e com títulos cambiais. "As funções do Tesouro e Banco Central ficarão claras ao mercado", disse o secretário-adjunto, Isac Zagury.





