Brasília, 05 (AE) - Embalado pelo sucesso dos primeiros leilões de títulos com taxas prefixadas, o Tesouro Nacional dá amanhã um importante passo para alongar o perfil do financiamento da dívida pública e oferece R$ 1 bilhão de Letras do Tesouro Nacional (LTN) com prazo de 56 dias. Nos dois primeiros leilões de títulos prefixados foram oferecidos apenas R$ 500 milhões de LTNs com vencimentos em 28 dias.
Desde que voltou a oferecer títulos prefixados, há duas semanas, o governo tem adotado uma política de cautela, avaliando a cada leilão o comportamento do mercado para definir o volume, o prazo e a frequência para o lançamento desses papéis. O objetivo maior é que a participação dos papéis prefixados chegue a 100% do total da dívida pública mobiliária federal, de responsabilidade do Tesouro, hoje em R$ 368,5 bilhões.
Mesmo com prazo de vencimento considerados ainda curto, de 56 dias, o lançamento de amanhã é o primeiro com aumento de período desde o retorno das LTN, o que foi muito bem recebido pelo mercado. Em 1997, antes da crise asiática, o Tesouro Nacional chegou a oferecer LTNs com prazo de vencimento de dois anos. Mas o Tesouro levou dois anos, de 1995 a 1997, para alongar o prazo de um mês para dois anos das LTNs.
A estratégia agora do Tesouro tem sido fazer uma sintonia fina entre o volume ofertado e o prazo dos títulos. O governo não quer correr o risco de avançar rapidamente no processo e depois ter que voltar atrás, o que seria um péssimo indicador para o mercado financeiro.
O Tesouro vai leiloar também R$ 3,5 bilhões em Letras Financeiras do Tesouro (LFT), título corrigido pela taxa Selic. O governo está mantendo os lançamentos de LFTs para continuar com sua postura cautelosa em relação à volta gradual dos papéis prefixados ao mercado. A colocação de LFTs, papel que tem risco menor para o investidor, permite manter ou até aumentar o prazo médio de vencimento da dívida mobiliária, dando mais conforto no fluxo de caixa do Tesouro. A idéia é que à medida em que for crescendo a aceitação das LTNs no mercado, o Tesouro possa avançar no processo de substituição.
A preferência do Tesouro pelos papéis prefixados tem uma razão. Esses títulos aumentam a previsibilidade sobre o serviço da dívida e permitem uma sinalização sobre a estrutura a termo das taxas de juros. Em outubro de 1997, os papéis prefixados representavam 65% do total da dívida mobiliária. Em fevereiro deste ano, antes da volta da oferta de LTNs, representavam apenas 5,8% do estoque da dívida.
No último leilão de papéis prefixados, realizado na semana passada, houve um consenso maior do mercado do que no primeiro leilão, com dispersão menor entre as taxas. Essa dispersão menor indica que aumentou o grau de consenso no mercado em relação às taxas de juros. No último leilão, a taxa média foi de 37,78% e a máxima de 37,86%. No primeiro leilão, a taxa média foi de 42,56% e a máxima de 42,80%. A expectativa para o leilão de amanhã é que haja um consenso ainda maior no mercado sobre as taxas.

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