Tesoureiro da CUT contesta declaração de diretor
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 08 (AE) - O tesoureiro da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Remígio Todeschini, negou hoje que a entidade esteja dependente de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para desenvolver sua política. Segundo ele, a afirmação do secretário de política sindical da CUT, Jorge Luís Martins, candidato das tendências de esquerda à presidência da central em 2000, de que "sem o dinheiro do FAT o movimento sindical brasileiro entraria em colapso", é totalmente falsa. "O Jorge Luís é mentiroso e agiu de má-fé, com o único objetivo de promover sua candidatura na mídia", reagiu Todeschini.
O tesoureiro confirmou que a CUT recebeu este ano R$ 21 milhões do FAT. O movimento sindical como um todo, incluindo a Força Sindical, teve recursos de R$ 80 milhões para programas de qualificação profissional.
No caso da CUT, Todeschini informou que a central teve, também este ano, receita própria de R$ 38 milhões, vinda dos sindicatos, suficiente para financiar todas as suas atividades. "O dinheiro do FAT é usado exclusivamente em programas de qualificação de trabalhadores", afirmou.
"Se essa verba for cortada, a CUT não entrará em colapso simplesmente porque não depende dela para nada." Os R$ 21 milhões do FAT seguiram, de acordo com o tesoureiro, para confederações, federações e sete escolas sindicais da CUT. Todeschini disse que o desenvolvimento de programas de qualificação nada tem a ver com parceria com o governo e nem com tutela do Estado aos sindicatos.
Candidatura - O secretário de Política Sindical da CUT, Jorge Luís Martins, foi escolhido pelo Movimento por uma Tendência Socialista (MTS) como candidato das tendências de esquerda da central para a sucessão de Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho. A corrente majoritária Articulação, integrada pelos moderados da CUT, ainda não definiu candidatura.
Martins afirmou ado que o último levantamento apresentado para os diretores da central dava conta de que 42% do orçamento do sistema CUT vinha do FAT. "Uma central que nasceu para romper com a tutela do Estado hoje faz parceria com o governo federal", analisou Jorginho.
Para ele, um dinheiro que deveria ter "controle público" está sob controle das centrais sindicais, sem nenhum acompanhamento da sociedade. "Está havendo um rateio do dinheiro público entre as centrais sindicais, o que é no mínimo perigoso", diz. "Se o governo resolver de uma hora para outra fechar a torneira do FAT, haverá um colapso no sistema sindical brasileiro."


