Tese mostra como empresas prejudicam investigação de acidente
São Paulo, 28 (AE) - Os meios usados na apuração dos acidentes de trabalho no Brasil estão condicionados a omitir as falhas do sistema de segurança das empresas e a direcionar a culpa para o empregado. A conclusão da tese, defendida na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), pelo pesquisador Renato Rocha Lieber, mostra como as empresas se eximem da culpa durante a investigação, prejudicando o trabalho de identificação das causas e, com isso, evitando novos acidentes.
Lieber, durante os dez anos de pesquisa, acompanhou cerca de 500 casos, ocorridos em indústrias petroquímicas das Regiões Sul e Sudeste. "Além de os métodos usados terem mais de 60 anos, não acompanharam as inovações tecnológicas", explica. Segundo Lieber, os técnicos de segurança das empresas chegam ao local com a idéia pré-concebida de que o acidente foi causado por falha humana e apenas buscam dados para justificar a teoria.
"Pensando assim, eles não vêem o caso sob outras perspectivas e deixam de investigar outras possíveis causas dos acidentes", diz. De acordo com o pesquisador, todo o trabalho é direcionado dessa forma para que a empresa não seja responsabilizada e para encobrir suas deficiências.
"A maioria das investigações já começa errada", disse Antônio de Sousa Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de São Paulo. Nos últimos quatro anos, o setor da construção civil registrou, só na capital paulista, 378 óbitos e mais de 100 mil acidentes com afastamento. "Os técnicos são contratados para maquiar a falta de segurança", denunciou.





