"Terroristas" são financiados do estrangeiro, segundo Moscou
Moscou, 15 (AE-ANSA) - O governo russo afirmou hoje (15) que os atentados da última semana contra edifícios residenciais em Moscou foram obra de "terroristas" financiados do estrangeiro, que invocam o islamismo e estão escondidos na Chechênia.
A polícia continua promovendo intensas buscas em toda Moscou. As pessoas originárias das repúblicas russas da Chechênia e do Daguestão, no Cáucaso, são os principais suspeitos das forças de segurança porque o Exércico russo está em luta contra extremistas islâmicos nessa região.
A polícia prendeu hoje um motorista de caminhão que transportava 1,8 tonelada de explosivos e procura uma quantidade equivalente a essa que fazia parte do mesmo carregamento.
O general Aleksandr Veldyaev, comandante das investigações, informou que foram presas até agora 27 pessoas, entre as quais organizadores dos atentados e encarregados da remessa de explosivos.
Hoje, um homem com forte sotaque caucasiano, dizendo-se integrante do obscuro Exército de Libertação do Daguestão, telefonou à agência russa de notícias Itar-Tass para comunicar que o grupo é o autor de três atentados realizados contra prédios residenciais nos últimos 15 dias no país, com saldo de 274 mortos - dois ataques na capital e um na cidade daguestanesa de Buinakski.
A organização é desconhecida da polícia e já havia assumido a responsabilidade por uma outra explosão num shopping center de Moscou no dia 31, na qual 1 pessoa morreu e 40 ficaram feridas. "As ações de represália que empreendemos têm um caráter de advertência. Apesar disso, os russos continuam bombardeando os civis (...). Nenhuma das bombas lançadas pelos pilotos russos ficarão sem vingança."
O governo russo responsabiliza pelos ataques o líder rebelde checheno Shamil Basayev, e seu aliado, o jordaniano Khatab, comandante das forças que se infiltraram no Daguestão no início de agosto e proclamaram um Estado islâmico nessa república russa.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, manifestou sua "absoluta convicção" de que os responsáveis estão escondidos na Chechênia.
Durante uma reunião com ministros da Defesa de várias ex- repúblicas soviéticas ameaçadas pelo fundamentalismo islâmico, Putin, um ex-chefe dos serviços secretos russos, denunciou que por trás do terrorismo existe "um generoso apoio financeiro" proveniente de centrais estrangeiras do integralismo muçulmano.
Segundo ele, a "ameaça terrorista" alcança não só a Rússia, mas também outras ex-repúblicas soviéticas.
"Trata-se de mercenários que só usam slogans religiosos e aos quais não reconhecemos o direito de se chamarem islâmicos", disse Putin.
Moscou aparentemente está recuperando uma certa normalidade, mas persiste a preocupação - expressada em dezenas de alarmes falsos de bombas feitos nas últimas horas.
A polícia russa evacuou hoje um edifício residencial no sudoeste de Moscou pela descoberta do que seria quatro sacolas contendo pólvora. No final foi constatado que tratava-se apenas de açúcar. Moradores dos apartamentos teriam ficado desconfiados depois de ter visto quatro homens desconhecidos e de traços caucasianos deixar o edifício.
Os atentados provocaram uma onda de rumores e especulações entre a população e na imprensa russa. Comenta-se que o presidente Boris Yeltsin vai renunciar e Putin assumirá o comando do país para convocar eleições presidenciais em três meses, como prevê a Constituição - coincidindo, assim, com o pleito parlamentar de dezembro. Há ainda informações de "fontes no Kremlin" sobre a possível destituição de Putin por Yeltsin.





