Terrorismo afetará educação no BR
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quarta-feira, 24 de outubro de 2001
Agência Estado<br> De Porto Alegre 
Os atentados terroristas de 11 de setembro contra os Estados Unidos deverão afetar negativamente os investimentos em educação nos países em desenvolvimento, como o Brasil. A avaliação é do professor argentino Carlos Alberto Torres, PhD em Desenvolvimento Internacional da Educação pela Universidade de Stanford, e baseia-se na previsão de um refluxo de capitais estrangeiros por causa das novas demandas internacionais, como segurança.
''O combate ao terrorismo vai exigir um aporte de recursos muito maior para o orçamento militar e para segurança nos Estados Unidos, o que implica uma perda imensa de capitais (por parte de países como o Brasil) que poderiam financiar a educação'', afirma Torres, um dos debatedores convidados para o Fórum Mundial de Educação, que começou ontem, em Porto Alegre.
De acordo com o argentino, que leciona nos Estados Unidos, a tendência é de aumento dos gastos públicos pelo governo americano, que opera atualmente em superávit fiscal, e cortes na América Latina, onde há déficit.
Embora os investimentos estrangeiros não financiem diretamente a educação, apresentam um efeito em cadeia positivo, que desapareceria a partir do refluxo de capitais. Torres também prevê um crescimento da intolerância nas escolas americanas devido aos conflitos religiosos.
''Essa é uma nova questão que surge para tratarmos, pois a educação depende da tolerância com a diversidade'', disse o professor.
Como Torres, uma centena de educadores e pesquisadores estrangeiros estão na capital gaúcha para debater os rumos da educação no mundo globalizado. O especialista em educação de Camarões, Pierre Fonkoua, por exemplo, vai relatar a experiência de seu país, um dos mais pobres do mundo, sobre a conversão de parte da dívida externa em investimentos sociais. O acordo avalizado pelo Banco Mundial foi fechado neste ano e prevê a utilização de US$ 2,5 bilhões nos próximos três anos.


