Terror mata pelo menos 18 e fere mais de 20 no Rio
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sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
Folhapress 
Rio de Janeiro - Balanço divulgado na noite de ontem pela Secretaria da Segurança Pública mostra que a onda de violência que atingiu o Rio entre a madrugada e o início da quinta-feira deixou 18 pessoas mortas. Das vítimas, sete estavam em um ônibus que foi queimado e morreram carbonizadas. Há mais de 20 feridos.
A partir da 0h, os criminosos atacaram a tiros ao menos cinco delegacias, carros e cabines da Polícia Militar. No início da manhã, um posto policial no Alto da Boa Vista também foi atacado. Seis ônibus foram queimados.
Para o secretário da Segurança Pública, Roberto Precioso, a ordem para os ataques partiu de presos, que temem mudanças na administração penitenciária a partir de 2007, com a troca de comando do governo do Estado, e o endurecimento do regime disciplinar.
Ele afirmou que a série de ataques não foi organizada por uma única facção, mas por criminosos que se uniram em torno de interesses comuns para pressionar o governo a, mais tarde, negociar concessões e privilégios. Uma das preocupações dos criminosos seriam os prejuízos financeiros causados por ações do governo, como as de repressão ao tráfico de drogas.
Precioso descartou que a série de ataques tenha sido motivada contra ações de milícias em morros da cidade, hipótese levantada inicialmente. No dia 12 de dezembro, reportagem publicada pela Folha mostrou que milícias formadas por policiais, ex-policiais, bombeiros, agentes penitenciários e militares já expulsaram traficantes de comunidades e ocuparam favelas.
Ataques e mortes - A onda de violência atingiu diferentes pontos e levou pânico aos moradores do Rio. Entre os 18 mortos estão sete supostos criminosos. Do total de mortos, sete estavam em um dos ônibus incendiados, da Viação Itapemirim. O veículo havia saído de Cachoeiro de Itapemirim (ES) e deveria chegar a São Paulo na manhã de ontem, com 28 passageiros.
O ataque ocorreu no viaduto que liga a rodovia Washington Luiz à avenida Brasil. De acordo com a empresa, alguns passageiros, assustados, fugiram do local. A viação afirma que assumirá as despesas dos traslados dos mortos.
A Polícia Militar informou que três homens apontados por uma testemunha como envolvidos no incêndio foram presos. Eles estão com as mãos queimadas e não teriam apresentado justificativas para os ferimentos.
Durante as ações criminosas, também morreram dois policiais; uma mulher que trabalhava como ambulante em Botafogo, perto de uma cabine da PM atacada; e um homem.
Dos sete suspeitos mortos, dois foram baleados depois de tentar atacar uma cabine em Mesquita. Os policiais reagiram e houve tiroteio. Com a dupla, os PMs afirmam ter apreendido uma granada, uma pistola e uma moto que havia sido roubada.


