Terror choca brasileiros na fronteira com o Paraguai
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segunda-feira, 05 de novembro de 2001
João Naves de Oliveira<br>Agência Estado 
Um clima de terror está dominando o ambiente na pacata cidade de Paranhos, extremo sul do MS na divisa com o Paraguai e a 582 quilômetros de Campo Grande. Uma família inteira de agricultores brasileiros que morava na Fazenda Bueno Amigo, no lugarejo paraguaio conhecido por Ype-Hú, foi assassinada a pauladas. Policiais paraguaios que atenderam a ocorrência, acabaram matando dois outros brasileiros no local e decepando a mão esquerda de um terceiro que está internado no Hospital Municipal de Paranhos.
As vítimas da chacina são Zeni de Matos Gamarra, 24 anos, grávida de sete meses e seus filhos Julinho Gamarra, de 11 anos, Júnior César Gamarra, de 7 anos e Juliana de Matos Gamarra, de 5 anos que foram enterradas sábado à tarde no cemitério Municipal de Paranhos, ao lado da mãe.
Tudo aconteceu no final de sexta-feira, Dia de Finados, quando a notícia chegou em Paranhos através de empregados da Bueno Amigo, que conseguiram fugir, sob intenso tiroteio. Policiais brasileiros não tiveram acesso ao local e estão aguardando equipes de técnicos paraguaios que chegarão hoje de Assunção, para mais informações sobre o caso.
Testemunhas disseram para a polícia brasileira em Paranhos, que os corpos da gestante e seus três filhos foram retirados à força da fazenda, e houve troca de tiros entre os acompanhantes do funeral e a polícia paraguaia.
Dois brasileiros foram mortos com vários tiros pelos policiais paraguaios e não haviam sido identificados até ontem. Um terceiro teve a mão esquerda decepada por tiros. É João Pereira da Silva, que deu entrada ao hospital, sábado depois das 16h. Ele está em estado de choque, segundo informações de funcionários do hospital, e não consegue saber nem mesmo o próprio nome, portanto sem condições de prestar informações sobre a chacina.
Existem outras versões da tragédia, mas nem mesmo Luiz Gamarra, esposo de Zeni e pai das crianças, pode confirmar, pois também está em estado de choque. Ele foi transportado da Bueno Amigo para Paranhos e está em casa de parentes ''com os olhos parados no tempo e sem pronunciar uma única palavra'', conforme disse uma tia dos menores assassinados que preferiu não ser identificada. Alegando não terem informações claras sobre a tragédia, policias civis e militares brasileiros, também evitam comentar o caso e esperam que as autoridades paraguaias esclareçam tudo.
Comentários que circulam em Ype-Hú, separada de Paranhos apenas por uma avenida, insistem em defender os policiais paraguaios. O mais veiculado deles é o de que quando os soldados da Polícia Nacional do Paraguai chegaram na Bueno Amigo para atender a ocorrência, estavam à paisana e foram confundidos com os autores da chacina. Os dois lados trocaram muitos tiros, conforme comentam e dois agricultores brasileiros acabaram mortos. A polícia paraguaia não confirma essa versão nem desmente, antes da palavra final da equipe de Assunção que deve chegar hoje na fazenda.


