Terreno particular é invadido por 300 famílias
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Uma propriedade vizinha ao Jardim São Jorge, na zona norte de Londrina, foi invadida ontem por cerca de 300 famílias. A invasão teria começado timidamente na sexta-feira, com a demarcação dos terrenos por meio de estacas e tiras de tecido, e se intensificou ontem com a construção de vários barracos. Boa parte dos invasores reclama que está na fila de espera da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) para obter um imóvel pelo Programa Minha Casa, Minha vida, mas reclamam que nunca foram contemplados.
O pintor Fernando Beton, de 18 anos, foi um dos que demarcou uma área para construir um barraco. Ele disse que a mãe dele está há pelo menos quatro anos na fila de espera para conseguir uma casa pelo Minha Casa, mas até hoje não foi contemplada. "Eu morava no Conjunto José Giordano e minha família gastava R$ 400 todos os meses para pagar o aluguel. Nossa renda não é suficiente para manter uma casa dessas", reclamou.
A dona de casa Luci Pereira, de 44 anos, está no local para guardar o terreno para a filha, que mora no município de Nossa Senhora das Graças (Centro-Norte). "Minha filha tem 20 anos e está passando fome porque não tem o dinheiro para o aluguel", reclamou.
O presidente da Cohab-Ld, José Roberto Hoffmann, afirmou que a invasão de um terreno pode dificultar a obtenção de uma casa pelo programa Minha Casa, Minha Vida. "O dono do terreno pode entrar com uma reintegração de posse e essas pessoas que invadiram a área podem ser responsabilizadas judicialmente. Isso pode inviabilizar qualquer inscrição nos programas habitacionais do governo", expôs. Hoffmann orientou os populares que ocuparam o terreno a sair de lá e se inscreverem na escola municipal do Jardim São Jorge. "Nós não temos como ir individualmente em cada barraco, por isso centralizamos a inscrição na escola", afirmou.


