Terra em movimento - Normas de construção não abrangem riscos de tremores
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segunda-feira, 01 de fevereiro de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
Os danos causados pelos tremores de terra às residências no Jardim Califórnia, na zona leste de Londrina, e em outras cidades da região metropolitana levantam a questão sobre até que ponto as edificações estão preparadas para suportar esse tipo de fenômeno natural.
O professor de fundações, barragens e obras de terra do Departamento de Construção Civil da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Carlos José Marques da Costa Branco afirma que este seria o momento para revisar as normas brasileira de construção e também para os engenheiros reavaliarem os projetos.
De acordo com o professor, a legislação não prevê nenhuma orientação para construções em áreas de sismos e, nem mesmo, para ocorrências de chuvas torrenciais, que possam provocar um colapso de solo, porque, em princípio, este tipo de fenômeno não ocorria no País. No entanto, as pesquisas geológicas têm mostrado que os sismos são comuns.
"A academia está discutindo a necessidade de mudanças nas normas. Temos a percepção de que alguma coisa está diferente. Os impactos das chuvas, por exemplo, precisam ser levados em consideração na hora de fazer os projetos. Mas sem normas fica complicado convencer o cliente de que ele precisa investir em medidas que vão encarecer o projeto. Quando a norma muda há mais amparo", comenta Branco.
Para evitar rachaduras ou danos estruturais nas edificações em caso de tremor de terra, o professor sugere o reforço das fundações com aumento no comprimento das estacas, mas isso implica em custo extra. No caso das construções que estão prontas e sofreram com os abalos, na opinião de Branco, é preciso avaliar o grau e os efeitos do dano. "É preciso avaliar caso a caso. Em alguns, é necessário reforçar a fundação antes de recuperar as paredes com rachaduras. Em outros, uma simples reforma nas paredes resolve."
O professor também afirma que os estragos nos imóveis podem ser uma combinação dos tremores e do colapso do solo provocados pelas fortes chuvas de dezembro e janeiro. Segundo ele, o tipo de solo da região perde metade da resistência quando infiltra água. "Às vezes, o sismo potencializou o colapso do solo. Mas o importante é suscitar a discussão na academia e os profissionais repensarem essa questão e tomarem cuidados extras na hora de elaborar os projetos", enfatiza Branco.


