Esperança de mudar de vida faz de emigrantes do PR figuras comuns em algumas cidades de Nova York, Conecticut, e Nova Jersey
Fotos Gilberto SmaniottoDe LondrinaA londrinense Cidinha começou carreira na Casa de Samba TigrãoDe MaringáSelma Moraes, ex-bancária maringaense, está há cinco anos nos Estados Unidos e abriu um restaurante no Queens
Gilberto Smaniotto
e Marinês Utteich
Especial para a Folha
Israel é carpinteiro em Connecticut, Cidinha dança em Nova York e nas principais cidades americanas, Sandra é estudante e trabalha em Minneápolis. O casal Elias e Cláudia desembarcou agora no Queens. São todos paranaenses e vieram para a Terra do Tio Sam sem saber ao certo o que iriam encontrar pela frente. Na bagagem trouxeram a esperança de mudar de vida.
Essa turminha engrossa a pesquisa inédita da Universidade de Colúmbia. Na América, os mineiros continuam na frente, mas agora os paranaenses passaram os cariocas e representam 29,1% dos imigrantes nos estados de Nova York, Conecticut, e Nova Jersey. Também tem gente do Paraná por todos os quatro cantos dos Estados Unidos.
O estudo do professor da Universidade de São Paulo (USP) José Carlos Meihy, para a Colúmbia, vai virar livro. Por enquanto o trabalho é baseado em 500 entrevistas realizadas nos três estados. ‘‘A maioria é jovem, boa escolaridade, desempregada no Brasil’’, analisa o professor, surpreso com o resultado da pesquisa.
Nos Estados Unidos eles trabalham duro. São carpinteiros, jardineiros, pintores de parede, faxineiros, garçons, cozinheiros, dançarinos, sem nunca terem feito isso antes. Moram em seis, oito, quatorze na mesma casa. Economizam parte do que ganham e mandam para a família.
Para encontrá-los em Astória, no Queens, bairro de Nova York, é só andar pelas ruas. Lá se fala português, italiano e grego 24 horas por dia. Em Newark, New Jersey, eles dominam as oficinas mecânicas e trabalham na manutenção das pontes.
Para falar com alguém em Danbury, Conecticut, a duas horas de Nova York, é só ir à missa na Saint Peter‘s Church. A noite de sábado é reservada para os brasileiros, que apesar de estarem na América, vivem num mundo totalmente diferente dos americanos.
Na semana passada, véspera do dia dos pais nos Estados Unidos, a igreja lotou. Dos 500 brasileiros, mais da metade era do Paraná. O padre cearense Jonas de Moraes, 62 anos, faz questão de pedir que eles se apresentem. Desta vez, 25 eram recém-chegados. Eles vêm aos montes para a pacata cidadezinha. ‘‘Os paranaenses também descobriram que aqui se ganha dinheiro’’, brinca.
O padre traça um perfil dos novos imigrantes.‘‘Eles têm bom nível cultural, são sérios, educados, prestativos e religiosos. Todo mês se reúnem na casa de uma família para rezar para Santa Rita de Cássia’’, conta orgulhoso. Os paranaenses devotos têm oito capelinhas com a santa passando de casa em casa. O número de capelinhas aumenta conforme a chegada de mais imigrantes.

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