Terra busca liderança nos países de línguas hispânica e portuguesa
São Paulo, 01 (AE) - A Terra Networks, subsidiária da espanhola Telefónica para serviços de Internet, tem como objetivo estratégico liderar esse mercado nos segmentos de línguas hispânica e portuguesa. Provedora de acesso na Espanha (Teleline), Brasil (Terra-ZAZ), México (Infosel), Chile (CTC), Peru (TdP), EUA (IDT) e Guatemala (Infovia), países em que também apresenta portais de conteúdo, como na Argentina, a Terra é hoje uma das novas sensações dos mercados de ações da Europa e Estados Unidos.
A empresa explodiu no mercado de capitais no dia 17 de novembro do ano passado, quando fez a sua estréia na Bolsa de Madri. Em sessão contagiada pelo entusiasmo e pelas expectativas do mercado, as ações da Terra lançadas naquele dia pularam de 13 euros (US$ 13,530 com a cotação daquele dia) para 29,9 euros (US$ 31,11) nos primeiros cinco minutos de pregão e fecharam o dia a 37 euros (US$ 38,50), praticamente três vezes o valor da colocação. Com isso, o preço de mercado da Terra naquele dia disparou para 10,19 bilhões de euros (US$ 10,60 bilhões).
Hoje (01), a ação da empresa era negociada a 88,30 euros (US$ 85), ou cerca de oito vezes mais o preço pago no dia da colocação de suas ações na Bolsa de Madri. O valor de mercado em Bolsa no último dia 30 de janeiro da Terra Networks já era de US$ 24,64 bilhões. Nem mesmo os altos executivos da Telefónica imaginavam essa reação dos investidores, inédita na Bolsa de Madrid. No primeiro dia de pregão, a subsidiária da Telefónica já valia mais do que qualquer uma de suas concorrentes européias
entre elas a britânica Freeserve, a única da Europa que conseguiu até agora concorrer de frente com a American Online (AOL).
No Nasdaq, o mercado eletrônico norte-americano onde são cotadas as grandes empresas de tecnologia, os papéis da Terra, lançados a US$ 13,5, também dispararam. Nos primeiros minutos, valorizaram 300%, chegando a US$ 54,5, para a surpresa generalizada dos analistas europeus. Os jornais espanhóis tiveram dificuldades para explicar o que havia ocorrido na Bolsa de Madri, onde mais de 12 milhões de ações da Terra trocaram de mãos no primeiro dia e movimentaram quase US$ 380 milhões.
"Os investidores multiplicaram por três o preço inicial porque descontaram um valor agregado futuro que hoje é impossível mensurar, já que, atualmente, a Terra tem apenas uma estrutura incipiente de serviços e um futuro problemático, principalmente na América Latina", arriscava o "El País". Perplexo, o diário destacava que "muitos investidores que tentavam desesperadamente comprar participações na companhia sequer sabiam o papel da Terra, o que fazia e ao que ela iria dedicar-se".
Essa trajetória de sucesso começou em novembro de 1998, quando a Telefónica decidiu dividir as suas atividades na Internet em duas empresas: a Telefónica Interactiva, que se dedicaria ao mercado "soho" (small office home office) e a Telefónica Data, para os grandes clientes e pequenas e médias empresas.
Em setembro do ano passado, a Telefónica Interactiva passou a chamar-se Terra Networks e adquiriu todas as ações de minoritários nas empresas da Telefónica na Internet da América Latina, exceto na Argentina, onde não conseguiu fazer acordo. Entre as atividades da Terra estão o acesso à Internet, ofertas de comunicação sobre redes IP, provedora de serviços e conteúdo interativo e ofertas a consumidores.
Depois de consolidar seus portais na Espanha, Peru, Chile, Brasil, México e Argentina, a Terra Networks lançou o serviço no início deste ano nos Estados Unidos, para conquistar o público de língua hispânica, dentro da sua filosofia de desenvolver sites adaptados à realidade de cada país. O número de visitas que os portais Terra recebe por mês nos países onde atua passa de 33 milhões, conforme dados de novembro do ano passado. Hoje, a Terra Networks conta com cerca de 1,14 milhão de clientes ISP em sete países e distribui cerca de 370 milhões de páginas ao mês.
A Telefónica, controladora da Terra Networks, já é a maior empresa de telecomunicações em línguas hispânica e portuguesa no mundo, de acordo com a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe). "Depois de investir mais de US$ 10 bilhões na região, principalmente na aquisição de companhias já existentes, cerca de 31% dos ativos da Telefónica são estrangeiros e a empresa conta ainda com 49 milhões de clientes no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Porto Rico e outros países da América Central", afirma um estudo da Cepal.
Desde 1990, quando colocou os pés na América Latina, a Telefónica investiu US$ 10,9 bilhões apenas em aquisições de empresas do setor. Praticamente metade dessa cifra foi direcionada ao Brasil, onde a companhia adquiriu, primeiro, a Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) e, depois, a Telesp Participações (telefonia fixa) e a Telesudeste Celular (telefonia móvel no Rio de Janeiro e Espírito Santo).
Atualmente, 27% do faturamento do Grupo Telefónica vêm de seus negócios fora da Espanha. No período de 1999 a 2001, a empresa espera investir R$ 12 bilhões apenas no Brasil, fora os US$ 4,5 bilhões e US$ 2,5 bilhões na Argentina e Peru, respectivamente.
A Cepal estima que a Telefónica investirá cerca US$ 20 bilhões na América Latina para consolidar seus negócios na região, onde fez alianças estratégicas com a norte-americana MCI WorldCom, Portugal Telecom, Iberdrola e com o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA). Ao lado da Iberdrola, BBVA, Santander
Repsol e Endesa, a Telefónica lidera a agressiva estratégia de investimentos dos principais e maiores conglomerados espanhóis na região, tornando a Espanha o segundo maior investidor na América Latina nos últimos anos.
A participação do país em investimentos externos diretos (IED), por exemplo, pulou de apenas 29%, em 1990, para 72% em 1998, ainda de acordo com o estudo da Cepal. O volume de recursos espanhóis aplicados nesse período praticamente quadruplicou, passando de 4,5 bilhões para 18,5 bilhões. OS PONTOS DE PRESENÇA DA TERRA Portais Terra-ZAZ (Brasil)
Olé (Espanha, Peru e Chile)
Infosel (México)
Gaucho Net e Domde (Argentina) ISPs Terra-ZAZ (Brasil)
Teleline (Espanha)
Infosel (México)
CTC (Chile)
TdP (Peru)
IDT (EUA)
Infovia (Guatemala)





