O pesquisador Marco Aurélio dos Santos mostra no estudo que, em alguns casos, usinas hidréletricas produzem mais gases de efeito estufa do que as termolétricas movidas a carvão mineral ou a gás natural. É o caso das usinas de Samuel, em Rondônia, e Três Marias, em Minas Gerais. ‘‘Três Marias, por exemplo, é 0,84 vez menos eficiente do que uma termoelétrica a carvão mineral e 0,54 vez menos eficiente do que uma termoelétrica a gás natural’’, citou.
Apesar disto, Santos ressalta que uma usina termoelétrica é mais prejudicial ao meio ambiente do que uma hidrelétrica. ‘‘A termolétrica não emite só gases quentes, mas também dióxidos de enxofre e de nitrogênio, além de materiais particulados, altamente prejudiciais à saúde humana. Este tipo de material não existe nas hidrelétricas’’, lembra.
O especialista em planejamento energético Rafael Schechtman, também professor da UFRJ, acredita que o estudo da Coppe tem fundamento, mas ressalta que ainda faltam resultados conclusivos sobre as emissões de gases quentes nas hidrelétricas. ‘‘Ainda não temos a quantidade exata dessas emissões’’, lembra. Segundo ele, que nos últimos quatro anos estava cedido à Agência Nacional de Petróleo (ANP), o estudo tem um aspecto positivo: o de jogar luz sobre a possibilidade da construção de novas hidrelétricas que levem em consideração essas emissões de gases de efeito estufa.

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