Termo reforça preconceito, aponta psiquiatra
Londrina - Para o diretor da Clínica Psiquiátrica de Londrina (CPL) Paulo Fernando Nicolau, a discussão sobre a reforma manicomial é um ''grande equívoco.'' ''Você não fala em reforma da cardiologia, reforma da pneumologia, na verdade esse termo reforça o preconceito à doença mental. Esse viés de relacionar o termo antimanicomial, de relacionar aos manicômios das décadas passadas e relacionar tratamento aos maus-tratos acabou reforçando o estigma do passado'', critica.
O diretor não aceitou conversar sobre a denúncia do Ministério Público contra a CPL. Comentou, no entanto, que a instituição conta hoje com cerca de 200 pacientes internados. ''Somos referência na internação psiquiátrica de quadros psicóticos para uma região de 1,8 milhão pessoas. Muito aquém do preconizado pelo Ministério da Saúde, que prevê um mínimo de 0,45 leitos por mil habitantes. No Brasil, são 190 milhões de habitantes e existem cerca de 32 mil leitos. Isso por si só já é uma desassistência'', aponta.
Segundo Nicolau, o governo federal precisaria investir mais na área de saúde mental. Ele ressalta que a psiquiatria, a exemplo de outras especialidades médicas, abrange atendimento de níveis de complexidade diversos. ''Não existe viés Caps contra hospital psiquiátrico, existe complemento. Num dado momento uma parte dos clientes de Caps precisam de internação integral. Ambos são necessários'', opina.(D.B.)





