Terminal pode mudar rota agrícola
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sábado, 07 de novembro de 1998
Alexandre Palmar Especial para a Folha 
O prefeito de Puerto Franco (cidade paraguaia na fronteira com Foz do Iguaçu), Gregorio Areco, pretende impulsionar a economia do município com a construção de um terminal de cargas na margem paraguaia do Rio Paraná.
A baía localizada em frente ao clube iguaçuense Cataratas Iate Clube é considerada por Areco um local privilegiado para a instalação do terminal. Ele afirma que, em todo o Rio Paraná, a baía é a única capaz de captar toda a produção agrícola da região.
Os municípios próximos a Puerto Franco são grandes produtores de soja, trigo, milho e algodão. Somente em soja, colhem perto de 700 mil toneladas/ano. De trigo, são 350 mil toneladas/ano. Grande parte da produção tem como destino os portos de Paranaguá e Buenos Aires, através do Porto de Assunção, no Rio Paraguai.
Areco destaca o fator do transporte fluvial possuir uma relação custo/benefício mais rentável em comparação com o rodoviário, além de necessitar o mesmo número de dias para chegar ao destino. Do Paraguai para Buenos Aires ou Paranaguá, o transporte de um contêiner com 25 toneladas de grãos custa, em média, US$ 2 mil. Um barco carrega 75 contêineres a US$ 1 mil cada, levando os mesmos seis dias, contabiliza o prefeito, do Partido Colorado.
De acordo com o projeto enviado a Assunção, serão construídos plataforma, depósitos graneleiros, estradas para os municípios agrícolas da região e um dique que impeça a inundação em dias de cheia no Rio Paraná. As instalações portuárias servirão para carga e descarga dos contêineres.
O governo paraguaio mostrou-se muito interessado na idéia. Quem não ficaria? É só o novo governo se estabilizar para concretizar o porto, acredita, com a certeza da viabilidade do projeto, estimado entre US$ 6 milhões e 7 milhões. Se o governo paraguaio liberar o dinheiro, o início da construção está previsto para os primeiros meses de 1999.
Sobre os negócios com cargas vindas de São Paulo, através dos rios Tietê e Paraná, Areco destaca a necessidade da construção de um desvio da usina de Itaipu. Com o desvio, o porto teria ligação com os principais rios do países integrantes do Mercosul.
Para completar a integração, o prefeito paraguaio espera que Foz do Iguaçu construa o porto intermodal (unindo os transportes fluvial, rodoviário e ferrovário), também previsto para o próximo ano.


