Itaguaí, RJ, 02 (AE) - O Terminal de Contêineres do Porto de Sepetiba (RJ), arrendado em 1998 pela Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), entrou em operação hoje. A idéia do governo é transformar o porto em um "hub port", terminal concentrador e distribuidor de carga para a costa leste da América do Sul. "Pelo que tenho lido, poucos acreditam no investimento, mas haverá retorno em um período mais curto do que se imagina", afirmou o presidente do conselho de administração das duas empresas, o empresário Benjamin Steinbruch.
O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que participou da cerimônia do lançamento do terminal, deu uma boa notícia a Steinbruch: o presidente Fernando Henrique Cardoso aprovou "informalmente" o projeto de licitar o serviço de dragagem nos portos à iniciativa privada - a falta de dragagem é o que compromete os canais de acesso. "Semelhante ao que estamos fazendo com as rodovias, vamos licitar e remunerar as empresas pelo desempenho, ou seja, pelas obras concluídas", explicou o ministro.
O projeto, que prevê contratos de cinco anos, será levado ao Conselho Nacional de Desestatização (CND) e poderá ser implantado este ano. "Com isso o governo federal vai pagar menos do que paga hoje", disse. No Porto de Sepetiba o governo já investiu R$ 350 milhões. Padilha também anunciou que o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) vai aplicar R$ 500 mil na recuperação emergencial dos acessos ao porto, em 90 dias, construir um trevo na BR 101 (Rio-Santos) para resolver o problemas de congestionamento e incentivar a abertura de uma nova estrada ligando a Rodovia Presidente Dutra a Sepetiba.
O investimento dos sócios, que arrendaram o terminal por R$ 93 milhões será de US$ 70 milhões entre 1999 e 2002, mas o capital de terceiros pode chegar a 70% deste total. A Sepetiba Tecon, empresa formada pela CSN e a Vale, está pleiteando empréstimos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ao International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial. Os dois devem entrar com cerca de US$ 25 milhões cada. Enquanto isso, a Sepetiba Tecon obteve um empréstimo-ponte de US$ 5 milhões junto ao banco de fomento alemão KFW, para a compra de equipamentos.
Segundo Steinbruch, o investimento no terminal pode chegar a US$ 100 milhões em seis ou sete anos, quando o porto estará movimentando 600 mil contêineres. A meta para este ano são 60 mil a 70 mil contêineres e, para 2001, 100 mil. O Porto de Santos movimenta 800 mil contêineres por ano e o Porto do Rio
200 mil.
O diretor-gerente da Sepetiba Tecon, Humberto de Freitas
informou que os preços de movimentação deverão ser um pouco mais baixos do que os da concorrência. Cerca de 90% dos investimentos no terminal irão para o despacho de contêineres. Mas a Sepetiba Tecon pode movimentar ainda 700 mil toneladas de produtos siderúrgicos por ano, segundo o acordo de acionistas, e automóveis.