Rio, 24 (AE) - O cinema Leblon 2, um dos mais tradicionais da zona sul do Rio, interditado desde novembro do ano passado por causa do risco de contaminação por amianto anfibólio, será reaberto na quarta-feira (29), com a pré-estréia do filme "Bossa Nova", de Bruno Barreto. A decisão de fechar e isolar a sala foi tomada pela Secretaria da Saúde depois que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmou o uso de material tóxico no revestimento térmico e acústico, que havia sido revelado em julho.
A remoção do produto foi executada durante a madrugada, para evitar a exposição da população às fibras do amianto - o custo da reforma foi de R$ 500 mil. Estudos indicam que o contato prolongado por inalação com o amianto anfibólio - proibido no País desde 1995 - pode causar perda da capacidade respiratória e até câncer no pulmão, mas a doença levaria até 20 anos para manifestar-se. Os seis operários que trabalharam na retirada da substância serão acompanhados durante 30 anos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Denúncia - O amianto foi aplicado no Leblon 2 no início da década de 80, por meio de jateamento do produto Limpet (composto pela substância), conforme denúncia feita por um ex-funcionário da Indústria Brasileira de Isolantes Térmicos Temporal S/A. A empresa, que faliu em 1994, era responsável pela utilização do Limpet no País. O processo sobre o caso foi encaminhado ao Ministério Público Federal, que apura a informação de que o Limpet teria sido utilizado também em duas igrejas da zona sul e em um prédio comercial do centro do Rio.
A coordenadora do Programa Estadual de Saúde do Trabalhador, Fátima Ribeiro, disse que a Secretaria abriu mão da multa que seria aplicada ao Grupo Severiano Ribeiro - que administra o cinema - porque a empresa apresentou um plano "seguro" de reforma. O trabalho foi acompanhado pela fiscal do Ministério do Trabalho Fernanda Giannasi e pela Associação Brasileira do Amianto (Abra). O cinema será aberto para a imprensa, depois de cinco meses de interdição, na segunda-feira.

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