Termina rebelião no presídio de Tremembé, após 24 horas
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Júlio Ottoboni 
Tremembé, SP, 15 (AE) - Terminou, por volta das 15 horas
com a liberação dos oito reféns, a rebelião no Presídio José Augusto Cézar Salgado (P2), em Tremembé, no Vale do Paraíba. Na revista a Polícia Militar encontrou estiletes e outras armas improvisadas usadas pelos 320 presos. A juíza- corregedora Sueli Armani Zeraick negociou com os amotinados e conseguiu a liberação de três presos da ala de segurança jurados de morte que estavam em poder dos rebelados. No início da noite, sete presos foram transferidos para o Presídio Magalhães Noronha (Pemano).
Foram pouco mais de 24 horas de muita tensão. O pelotão de choque da PM cercou a cadeia e conseguiu retirar 22 dos 26 presos que se encontravam na ala de segurança. Os quatro que restaram se esconderam no telhado do prédio, onde passaram toda a noite. Mas três deles foram pegos pelos outros amotinados e passaram a receber ameaças. Os detentos queriam a troca da equipe técnica, direito de visita íntima para todos, agilidade nos serviços processuais, banho de sol diário e horas de lazer para os que trabalham nas oficinas de bolas e calçados.
O movimento começou depois de uma briga envolvendo dez presos, por volta das 14h30 de ontem (14). Todo o pavilhão das celas foi tomado pelos rebelados que se encontravam armados com paus e estiletes. Eles colocaram fogo em parte das oficinas de trabalho e fizeram de refém os agentes penitenciários Adalberto de Almeida, Alexandre José Nunes, Maurício França, Francisco Chagas, Antonio Lima, Emerson Azevedo, Rubens Mariotto e Jurandir Oliveira Franco. Todos sairam ilesos, apesar de muito nervosos.
Apenas um dos presos amotinados ficou ferido, mas sem gravidade. No meio da noite, os rebelados chegaram a invadir o restaurante do presídio e com a carne existente no lugar fizeram um grande churrasco que durou até o início da madrugada. Os presos no P2 cumprem pena em regime semi-aberto. O levantamento dos estragos, inclusive no setor administrativo do estabelecimento penal, está sendo feito pela direção do presídio e deve ser concluído nos próximos dias.


