Termina rebelião em Taubaté depois de mais de 23 horas
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sexta-feira, 05 de novembro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
Taubaté, SP, 06 (AE) - Terminou por volta das 11 horaas a rebelião dos presos da Cadeia Pública de Taubaté, no interior de São Paulo. Os amotinados aceitaram a transferência de 62 condenados para os estabelecimentos penais do sistema Coesp e outros 33 para presídios da região. Os quatro carcereiros reféns foram libertados após o acordo. As negociações foram retomadas neste sábado, às 8 horas, pela juíza-corregedora Sueli Zeraik Menezes, e o delegado regional de polícia, Antônio Carlos Gonçalves da Silva.
Foram pouco mais de 23 horas de protestos contra a superlotação carcerária. Durante todo período, os negociadores tentaram liberar os quatro carcereiros feitos de reféns, que estavam sendo ameaçados de morte pelos detentos. O protesto teve início as 12h30 de ontem e foi motivado pelas péssimas condições de habitação do lugar, que é dimensionado para 88 vagas estava com 297 presos. A principal reinvidicação era a transferência de presos para outras cadeias. As conversações seguiram até as 22 horas, quando foram suspensas.
Segundo informações policiais, a cadeia foi muito danificada pelos rebelados. Na noite de ontem, os detentos queimaram colchões e destruíram as celas. Muitos rebelados estavam armados com estiletes e outras armas improvisadas. Os reféns foram levados constantemente até as janelas do prédio e mostrado aos policiais. Não há informações de feridos. Uma comissão de presos negociou com as autoridades a transferência de um grupo pré-selecionado de cem condenados.
No final do primeiro dia de rebelião foram obtidas 55 vagas em vários pontos do Estado, mas essa quantidade foi rejeitada pela comissão de presos. O clima no local era de tensão, principalmente depois de a polícia ter cortado a energia elétrica e água do prédio e suspendido a alimentação. Populares e familiares dos carcereiros Roberto Espínola, Almir Moreira, Jacques Rivadavia e Edson Carvalho, feitos reféns, fizeram uma vigília em frente ao presídio durante toda a noite.
A cadeia foi cercada por um grande efetivo de policiais civis e militares fortemente armados, alguns deles com cães, para evitar uma possível fuga em massa. Assim que as vagas foram conseguidas, os camburões foram colocados estrategicamente nas proximidades da entrada do prédio. O procedimento de remoção dos detentos foi iniciado assim que os reféns foram soltos.
O histórico desta cadeia apresenta sempre rebeliões provocadas pela superlotação e de duração prolongada. A última foi em 1997, quando cerca de 300 detentos se revoltaram com as péssimas condições de habitação do presídio e iniciaram um violento protesto. Na ocasião, três carcereiros ficaram como reféns por quase 20 horas e a ala das celas foi totalmente destruída. A situação foi controlada após a transferência de 60 detentos para estabelecimentos da região.


