Termina rebelião em presídio no interior de SP
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de outubro de 1999
Por Luiz Carlos Lopes 
Marília, SP, 11 (AE) - Terminou com a promessa de atendimento das principais reivindicações dos presos e a libertação dos últimos nove reféns, por volta das 11h30 de hoje, a rebelião dos detentos da Penitenciária Estadual de álvaro de Carvalho, a 40 quilômetros de Marília, interior de São Paulo. O motim foi deflagrado às 15h30 de domingo, logo após o término do horário de visitas. Iniciado no pavilhão 4, rapidamente o movimento alastrou-se por todo o presídio.
Treze agentes penitenciários foram feitos reféns. Durante a madrugada, três funcionários tentaram escapar e acabaram feridos. Posteriormente, foram liberados pelos detentos. Outro agente, que também era mantido refém, sentiu-se mal e foi libertado. Quatro presos, três infectados com o vírus HIV, em estado terminal, e outro passando mal, foram encaminhados para atendimento hospitalar, conforme o titular da Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado de São Paulo (Coesp), Lourival Gomes.
Durante o motim, os presos queimaram colchões, quebraram vidros e destruíram equipamentos da ala hospitalar e da cozinha. Segundo Gomes, os próprios detentos ofereceram-se para recuperar as instalações. O coordenador, porém, garantiu que os equipamentos e materiais destruídos não serão repostos. Lourival Gomes ainda negou a informação de que os rebelados teriam exigido um carro-forte para fuga dos líderes e disse que nem mesmo a transferência de detentos chegou a ser discutida. "Temos ordens superiores de não negociar com presos rebelados"
afirmou. Armas - Durante a rebelião os presos assumiram praticamente todas as instalações do presídio. Muitos deles, portando estiletes, chegaram aos telhados, de onde exigiam a presença de jornalistas para iniciar as negociações, conduzidas pelo coordenador da Coesp e pelo juiz da Vara de Execuções Penais de Marília, Décio Divanir Mazeto.
Pelo menos 200 homens da Polícia Militar e 180 policiais civis e agentes penitenciários foram mobilizados para controlar a situação. De acordo com Gomes, o momento mais tenso aconteceu durante a madrugada, quando os rebelados ameaçaram agredir os reféns que estavam distribuídos nos quatro pavilhões do presídio. Nesse momento, admitiu, cogitou-se a invasão do prédio pelas forças policiais.
Hoje, depois que os presos retornaram às suas celas, os agentes penitenciários, com o apoio da Polícia Militar, iniciaram uma vistoria em todo o presídio. Reivindicações - Entre as principais reivindicações dos rebelados estavam a ampliação dos horários de visita, em uma hora, e do banho de sol, em duas horas. os dois pedidos foram atendidos, de acordo com a direção do presídio que abriga 798 detentos.


