de Brasília
O brasileiro começa hoje o mais longo fim de semana do ano. O sábado e o domingo terão 49 horas de duração, ao contrário das 48 horas tradicionais. À meia-noite, todos os relógios das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além da Bahia e do Tocantins, deverão ser atrasados em uma hora.
Será o fim da 12ª versão consecutiva do horário de verão no Brasil e a 23ª desde 1931. Dessa vez foram 133 dias, o mais longo período desde 1985, o que representou uma economia global de energia de 1%.
Nos horários de pico, entre 17 horas e 22 horas, a economia chegou a 6%.
A redução do consumo de energia de 1%, comparativamente, equivale ao total de energia distribuída para o Distrito Federal, com 1,8 milhão de habitantes.
O índice é o mesmo dos anos anteriores e está dentro das expectativas dos técnicos do Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (Dnaee). Se essa energia fosse produzida por óleo combustível, seriam necessários 568 mil barris de petróleo.
Segundo o Dnaee, isso corresponderia a um custo global de US$ 13 milhões. ‘‘É algo que o sistema deixou de faturar, mas que os consumidores deixaram de gastar’’, explica o diretor-geral do Dnaee, José Mário Abdo.
‘‘Mantivemos a economia de energia, mesmo com o aumento de consumo e da geração de energia’’, diz Abdo.
Somente em março estarão disponíveis os resultados definitivos de economia de energia.
Os números preliminares apontam ainda que a redução do consumo no horário de pico este ano foi menor que os 7,4% registrados no ano passado.
‘‘Isso se deve a fatores climáticos, e não representa qualquer problema’’, diz Abdo.
Segundo ele, este foi um verão com muitas chuvas. Se por um lado isso implica em menos horas de sol, o que aumenta o consumo de energia, por outro lado aumenta o volume de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas, o que garante maior geração de energia.
Nessa última versão, o governo decidiu aumentar a duração do horário de verão como parte da estratégia para evitar o racionamento de energia elétrica no País.
O consumo cresceu com o Plano Real e as poucas chuvas registradas no ano passado preocuparam os técnicos do governo.
Para não coincidir com o Carnaval, o governo ainda decidiu prolongar por mais uma semana a duração do horário de verão.
‘‘O horário de verão já faz parte do calendário e da vida do brasileiro’’, afirma o diretor do Dnaee.
Segundo ele, não é uma medida conjuntural, mas estrutural. Em países como Estados Unidos, Canadá, em praticamente toda a Europa, no Chile e no Paraguai, o horário é adotado. ‘‘Ele traz mais conforto à população adaptando sua vida em dias com mais luminosidade’’, explica.
É durante os meses de verão que o consumo de energia atinge a potência máxima, em função do calor. ‘‘Nesse período as pessoas aumentam a potência dos equipamentos de refrigeração, que tradicionalmente consomem mais energia que os demais’’, diz Abdo.
Os dados do Dnaee apontam que, para a demanda no horário de pico, se espera uma redução superior a 2.280 megawatts, o equivalente à geração de energia de três unidades da Usina de Itaipu. No geral, a redução mensal de energia esperada para as regiões onde foi instituído o horário foi de 270 mil megawatts.

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