Termina greve na usina de Porecatu
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quinta-feira, 01 de fevereiro de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
Depois de 20 dias de paralisação, terminou ontem a greve dos trabalhadores da Usina Central Paraná, em Porecatu (85 quilômetros ao norte de Londrina). Os cerca de 7 mil funcionários aceitaram a proposta da empresa e retornam hoje ao trabalho. A usina, que produz açúcar e álcool, se comprometeu a pagar o salário de dezembro e acertar as contas de funcionários terceirizados e safristas no dia 7 de fevereiro. Os dias parados, segundo a empresa, não serão descontados.
De acordo com a proposta patronal, mediada pelo procurador do Trabalho da 9ª região, Gláucio Araújo de Oliveira, de Curitiba, a usina deverá apresentar diariamente lista com nomes de empregados favorecidos pelo recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O salário de janeiro deverá ser pago no dia 21 de fevereiro. A usina garantiu que vai abrir discussão sobre acordo coletivo de trabalho, aumento salarial e horário de trabalho.
Ainda conforme a proposta aprovada ontem, será formada uma comissão de estudo e análise das denúncias feitas pelos empregados durante o período da greve. A comissão será formada por dois representantes de dezenas de sindicatos de cidades do Norte do Estado que participaram da paralisação. Desde o último dia 12, quando começou o movimento, os trabalhadores da usina procuraram a reportagem da Folha para denunciar casos de exploração.
Ao tomar conhecimento das denúncias publicadas pela Folha, o procurador do Trabalho se dirigiu a Porecatu, na segunda-feira, para investigar os casos. Também o bispo auxiliar de Londrina, dom Vicente Costa, se deslocou até a cidade para ouvir as reivindicações dos trabalhadores e mediar as negociações. Ontem, ao saber do fim da greve, dom Vicente Costa comentou:O bom senso prevaleceu. E a grande lição que se pode tirar disso tudo é o papel que a imprensa exerce para garantir a dignidade humana
O Sindicato dos Rodoviários de Londrina, com cerca de 200 filiados na usina, coordenador da mobilização, ganhou a confiança de funcionários de outros setores após manifestações de descontentamento com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e com o Sindicato da Alimentação de Porecatu. Segundo os trabalhadores, os dois sindicatos, cujos presidentes vêm se mantendo há décadas no cargo, não têm representatividade e pouco fizeram pela categoria. Durante as assembléias realizadas diariamente, os presidentes dos sindicatos locais eram hostilizados.
Conforme informações do vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, João Batista, o procurador do Trabalho garantiu que independente do final da greve os processos investigatórios continuam.
O procurador do Trabalho participou da assembléia, ouviu os funcionários e encabeçou uma lista de assinaturas visando destituir dos cargos os presidentes de sindicatos de Porecatu, acusados pelos empregados de serem pelegos.


