Termina depoimento de Pitta à CAE
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terça-feira, 21 de março de 2000
Por José Ramos 
Brasília, 22 (AE) - A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado encerrou há pouco a audiência pública com o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), na qual foi discutido o acordo de renegociação da dívida da Prefeitura com a União. Ao contrário do que era esperado, a sessão ocorreu em clima de tranquilidade, tendo despertado mais interesse da imprensa e de funcionários do Senado do que dos senadores. Um dos momentos de maior discussão foi quando o senador Pedro Simon (PMDB-RS) fugiu ao tema do convite formulado a Pitta para audiência pública, referindo-se às acusações da ex-mulher do prefeito, Nicéa Camargo, chegando a comentar a viagem de Pitta a Paris, durante o carnaval. "Se ele não tivesse nenhuma outra culpa, essa ele teve. Foi infeliz no jantar", afirmou Simon, referindo-se à denúncia de que Pitta teria tido um encontro amoroso em Paris.
Diante da reprimenda do presidente da CAE, Ney Suassuna (PMDB-PB) para que Simon se restringisse ao tema da convocação, o senador gaúcho disse que não tinha mais nada a perguntar e que graças a postura de Suassuna a comissão está "afundando". Depois que Pitta respondeu a Simon negando todas as denúncias de sua mulher, Suassuna explicou à comissão que havia recebido telefonema do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, determinando que fosse dado a Pitta o direito de responder às questões levantadas por Simon, mesmo que não tivesse relação com a dívida de São Paulo.
Em um dos trechos do seu depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o prefeito de São Paulo disse que ele e sua família estavam ofendidos com as recentes declarações do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, que classificou a família de Pitta de "prostíbulo". Mesmo assim, Pitta reconheceu que a prefeitura sempre obteve o apoio político do presidente do Senado, quando necessitou.
Durante a audiência pública, o senador José Fogaça (PMDB-RS) disse que o refinanciamento da dívida de São Paulo é do interesse do País, pois o objetivo do governo federal ao fazê-lo é criar metas de austeridade fiscal para a Prefeitura. Segundo Fogaça, a única questão que a CAE precisa decidir é se todos os títulos serão rolados em 30 anos, ou se parte deles será financiada em apenas 10.
O relator do processo de renegociação, senador Romero Jucá (PSDB-RR), disse que o depoimento de Pitta serviu apenas para trazer a versão da Prefeitura sobre a emissão dos títulos para pagamento de precatórios. Jucá disse que está fazendo auditorias e que ouvirá outras fontes antes de dar seu parecer.


