Termina bazar com bens de megatraficante
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quarta-feira, 09 de abril de 2008
Folhapress 
São Paulo - Terminou ontem com um lucro estimado de R$ 60 mil o superbazar montado no Jockey Club de São Paulo para vender os móveis e bens pessoais do megatraficante colombiano Juan Carlos Abadía e de sua mulher, Yéssica Paola Rojas Morales. Previsto para durar até domingo, em apenas dois dias o bazar foi esgotado com a venda de todos os pertences por 30% do valor médio de mercado - além das peças vendidas a preços simbólicos, como as 130 cuecas do narcotraficante, oferecidas por R$ 1.
À noite, os organizadores do bazar fazem um leilão com os itens mais caros do casal, como a coleção de cem relógios de luxo de Abadía - o mais caro, um Audemars Piguet, custa US$ 219 mil -, canetas especiais, três bicicletas importadas, TVs a partir de 60 polegadas, um Ford Rural Willys e um Jeep Willys Overland.
Como no bazar, o leilão foi limitado a 425 pessoas, com distribuição de senha. Antes do evento, foi feita uma preleção, para saber quem, de fato, tinha condição financeira para oferecer lances pelos objetos. O dinheiro arrecadado vai para uma conta da União e depois será repassado a entidades assistenciais cadastradas na 6 Vara Criminal Federal de São Paulo, que condenou a quadrilha do traficante.
Com estrutura montada para durar seis dias, o bazar ficou marcado pela grande procura e pelo tumulto na porta. A Polícia Federal, com apoio de cem policiais militares, só conseguiu conter os potenciais compradores no portão do Jockey com o uso de gás pimenta. Mesmo ontem, com apenas 15% dos bens ainda disponíveis e todos os eletroeletrônicos já vendidos, a procura foi intensa e todas as senhas foram distribuídas.
''Esse comportamento nem é sociológico, é patológico, um negócio de louco'', avaliou o presidente da Fundação Julita, Lucien Delmonte, que comandou o bazar e o leilão. ''É compulsão. Pagar R$ 700 por uma TV de 42 polegadas de plasma usada, do modelo mais antigo, sem poder ligar na tomada para ver se funciona é loucura'', exemplificou.
Especializado em organizar bazares beneficentes, Delmonte disse que foi o apelo da imagem do traficante, e não o valor estipulado pelo juiz Fausto Martin De Sanctis às peças, o responsável pelas filas e confusões no Jockey.


