Agência Estado
De Aparecida de Goiânia
Terminou no início da noite de ontem, após 48 horas, a rebelião na Casa de Prisão Provisória (CPP) de Goiás, onde 15 presos ainda mantinham cinco agentes penitenciários como reféns. A polícia de Goiás não havia aceitado as reivindicações iniciais dos rebelados, que exigiam dez carros, armas pesadas e R$ 50 mil para liberar os reféns. Mas, nas negociações da tarde, entre presos, quatro delegados e o secretário de Segurança Pública do Estado, Demóstenes Xavier Torres, os amotinados mudaram de posição e libertaram os reféns.
Entre as novas reivindicações dos detentos estão a aceleração dos processos e dos julgamentos; alimentação melhor; a presença constante dos promotores na CPP, para que se evitem espancamentos, que ocorrem com frequência, segundo denunciam; e a transferência do líder do movimento, Osmar Martins, para Campo Grande (MS), sua região de origem.
O secretário disse que há a possibilidade de as novas reivindicações serem atendidas, até mesmo a transferência de Martins, preso este ano pelo sequestro de Wellington de Camargo, irmão da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. Martins é considerado um dos mais perigosos bandidos do País.
Os presos dominaram os agentes penitenciários na segunda-feira, após o carcereiro Arnaldo Rodrigues da Silva entregar-lhes armas e munição, por R$ 2 mil. Um sargento e um cabo da guarda do presidío também são acusados de facilitar a entrada de dois revólveres, uma pistola e duas caixas de balas.
Anteontem à noite, a polícia havia descoberto que os presos estavam cavando um túnel, pelo qual 250 deles fugiriam. Torres havia ordenado o corte da energia elétrica e a suspensão do fornecimento de alimentos e água aos presos já na madrugada de terça-feira.
Ontem à tarde, antes de pôr fim à rebelião, os presos haviam liberado a presidiária Arlene Ferreira Rezende, grávida de sete meses, que passava mal, e a carcereira Fátima de Jesus Santos, também grávida, de três meses.
Martins, que liderou o motim, em nenhum momento apareceu para negociar. Segundo Torres, o Serviço de Inteligência da Polícia descobriu que a intenção dos presos era mais ambiciosa do que a simples fuga. Após escapar, pretendiam sequestrar uma alta autoridade do Estado ou parentes de promotores, delegados e juízes.

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