Curitiba - Um acordo pôs fim à greve dos funcionários do setor de transporte de valores, que durou dez dias. A negociação entre representantes dos empregados e donos de empresas, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Curitiba, demorou cerca de quatro horas. O retorno ao trabalho, segundo a Federação dos Vigilantes do Paraná, seria imediato.
Funcionários e patrões concordaram com um reajuste de 6% nos salários; aumento de 20% para 22,5% no adicional de risco de vida; fim do sistema de compensação de horas (excedente à 10 hora); e aumento no vale-alimentação de R$ 9,70 para R$ 10,50.
De acordo com o presidente da Federação dos Vigilantes do Paraná, João Soares, a proposta sugerida pelo Ministério Público (MP) do Trabalho não atendeu, integralmente, as reivindicações da categoria, mas representou um importante avanço. Mais do que as conquistas financeiras, ele destacou que ''a greve serviu para mostrar aos empresários que os funcionários estão atentos às irregularidades do setor''.
Com a greve, caixas eletrônicos de várias agências bancárias, em Curitiba, ficaram sem dinheiro e o comércio teve transtornos com a falta de troco. Soares estima que a circulação de dinheiro deve se normalizar em três dias. ''Até amanhã (hoje) 80% das atividades já devem estar normalizadas em Curitiba'', acrescentou. A paralisação, segundo ele, teve maior adesão na Capital e nas cidades de Cascavel, Maringá, Pato Branco, Ponta Grossa e Umuarama.
A Folha tentou ouvir o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Valores (Sindivalores), Gerson Pires, mas foi informada por uma funcionária de sua empresa que ele estava em reunião e não poderia atender a reportagem. Pires também não atendeu as ligações para seu celular.
Em Londrina, a greve dos vigilantes iniciou na última terça-feira e só depois de dois dias teve adesão de 100% da categoria. Os grevistas fizeram vigília em frente às empresas de transporte de valores para impedir a circulação dos carros-fortes.
Ontem, o trabalho reiniciou às 6h45 na Proforte Transporte de Valores, onde trabalham 50% dos cerca de 200 vigilantes que atuam na cidade. Segundo Ana Lúcia Santana de Almeida, assistente administrativa da empresa, os funcionários não aderiram à greve, mas foram ''impedidos'' de trabalhar. ''Quebraram retrovisores e furaram os pneus de dois caminhões. Aí o gerente resolver parar para proteger os funcionários'', disse.
Com a retomada do trabalho ontem, o Sindicato dos Vigilantes informou que o problema da falta de dinheiro em caixas eletrônicos da cidade já estaria resolvido desde o meio-dia. ''Até as 12 horas já estava tudo normal'', afirmou o secretário geral do sindicato, Sérgio Guedes dos Santos. (colaborou Chiara Papali)

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