Tereza Grossi é aprovada pela CAE
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Soraya de Alencar e Vânia Cristino 
Brasília, 21 (AE) - A oposição tentou mas não conseguiu impedir a votação do nome de Tereza Grossi na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senador Federal.
Depois de derrubar o requerimento da oposição tentando suspender a sessão para que a indicação do presidente da República não fosse analisada hoje, os senadores governistas conseguiram aprovar Grossi para a diretoria de Fiscalização do Banco Central com 22 votos favoráveis. Cinco senadores da oposição não votaram.
Tão logo foram derrotados no requerimento, os senadores oposicionistas se retiraram da sessão da CAE em protesto contra a indicação de Tereza Grossi. Foram mais de duas horas de discussão sobre o requerimento.
O senador Saturnino Braga (PDT-RJ) considerou um desrespeito à comissão a insistência do governo em indicar a funcionária para a diretoria do BC.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) acusou o presidente Fernando Henrique de não ter lido o relatório da CPI dos bancos e os documentos do Ministério Público que está processando Tereza Grossi pela participação na operação de socorro aos bancos Marka e FonteCindam.
Mesmo sendo do PMDB, partido da base de apoio do governo, o senador Roberto Requião (PR) revoltou-se com a escolha do nome de Grossi para a diretoria de Fiscalização do BC e chegou a dizer que era "molecagem" do presidente Fernando Henrique enviar a indicação ao Senado. Na avaliação da senadora Heloísa Helena (PT-AL), o referencial da CAE deveria ser a lei. Portanto
a indicação de Grossi só poderia ser avaliada após a conclusão do processo no Ministério Público.
Apesar do governo ter feito as contas antes e só submeter a indicação à CAE por ter certeza da aprovação do nome de Grossi, o clima de tensão fez com que o presidente do BC, Armínio Fraga, ligasse para o presidente da comissão, senador Ney Suassuna, durante a sessão expressando sua preocupação.
Suassuna garantiu, no entanto, que era só esperar "porque a oposição faz muito barulho mas não tem voto". Mesmo assim Fraga mandou dois de seus diretores para acompanhar a sessão de perto e informá-lo constantemente do andamento das discussões.
Na sala ao lado da comissão, Grossi pôde ouvir toda a discussão e a batida em retirada da oposição. Chamada para a sabatina, no entanto, ela fez uma exposição sem mostrar qualquer nervosismo.
Somente três senadores fizeram perguntas numa sessão que durou uma hora. Nas respostas ao senador Romeu Tuma (PMDB-SP), ela disse que, embora tenha preparo para analisar as operações sofisticadas do sistema financeiro, a fiscalização do BC ainda não está no ponto ideal.
E, por isso, precisa de ajuda do Congresso Nacional porque "algumas leis precisam ser alteradas". Uma delas é a do sigilo bancário que "protege o cidadão honesto enquanto o desonesto tira vantagens".


