Campo Grande, 24 (AE) - Os índios terenas da aldeia Buriti, no município de Sidrolândia, deram prazo até as 18 horas de amanhã (25) para que o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Carlos Frederico Marés de Souza Filho, esteja na aldeia. Desde quarta-feira eles mantêm o historiador da Funai de Brasília, Rogério Alves Rezende, e o assessor de imprensa do órgão em Campo Grande, Geraldo Ferreira Duarte, como reféns. Caso Marés não compareça nesse período, começarão a invadir as fazendas vizinhas da aldeia e expulsar os fazendeiros.
O presidente da Funai desembarcou no final da tarde em Campo Grande. Ele afirmou que não vai negociar com os terena enquanto eles não libertarem os reféns. Para Marés, a ameaça de invasões é apenas para chamar a atenção.
O cacique dos terena, Percedino Rodrigues, afirmou que recebeu hoje o apoio dos índios de 18 aldeias e disse que as invasões começam assim que o prazo terminar. Segundo o cacique são pelo menos 15 mil índios de várias tribos dispostas a guerrear contra os fazendeiros que invadiram as terras indígenas em Sidrolândia.
O delegado da Funai em Campo Grande, Lisio Lilly, comunicou oficialmente ao presidente da Funai a situação dos dois funcionários. Eles estão presos em uma cabana rústica de pau a pique e coberta por sapé, onde reclamam que estão dormindo no chão. A alimentação é bastante precária e apenas uma vez por dia. Lisio solicitou ao cacique garantia de integridade física dos reféns. Pediu pessoalmente a intervenção de Marés e a resposta foi: "Não vou negociar nas atuais condições".
Os terenas estão revoltados porque perderam mais de oito mil hectares da aldeia para fazendeiros. Eles não concordam com o relatório apresentado pelo historiador com base no trabalho feito por uma equipe constituída de antropólogos, historiadores e agrimensores segundo o qual não existem as terras reivindicadas pelos índios.
O presidente da Funai participa hoje de um encontro de juizes federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul, onde falará sobre o meio ambiente entre os índios. Amanhã (25) ele recebe às 14h30, na sede da Funai, os líderes dos terenas para conversar sobre a questão da aldeia Buriti.

mockup