Giovani Ferreira
De Curitiba
Os radares eletrônicos terceirizados, utilizados na fiscalização das rodovias estaduais do Paraná, aplicam três vezes mais multas do que a própria Polícia Rodoviária Estadual. De acordo com informações do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), a empresa paulista Cosladel, que opera 10 radares fotográficos em cinco regiões do Estado, aplica uma média de 3,5 mil multas por excesso de velocidade por mês.
Levando em conta esse número como média, nos cinco meses em que está atuando no Estado, a empresa emitiu aproximadamente 17,5 mil autuações. Nem mesmo a Polícia Rodoviária Estadual, órgão oficial responsável pela fiscalização das rodovias estaduais, emitiu tantas multas. No acumulado deste ano, entre os meses de janeiro e julho, a Polícia Rodoviária lavrou 9.979 notificações por excesso de velocidade.
Na média mensal, a emissão de multas terceirizadas é quase três vezes maior do que as notificações da Polícia Rodoviária, que somam 1,4 mil. São esses números que, em tese, sustentam as manifestações de diversos segmentos da sociedade organizada contra a ‘‘indústria da multa’’ que estaria se formando no Paraná.
Outra disparidade apontada pelos números diz respeito à estrutura utilizada pela empresa terceirizada, que é oito vezes menor que a da Polícia Rodoviária. Enquanto os policiais utilizam 80 radares em 14 mil quilômetros de rodovias estaduais e algumas federais, a Cosladel consegue emitir três vezes mais multas com apenas 10 radares.
Utilizando como base de cálculo o número médio de autuações registradas pela Cosladel, a empresa fatura por mês aproximadamente R$ 105 mil. A cota da empresa é de R$ 30,00 por multa emitida. Em cinco meses em que opera no Estado, a Cosladel deve ter conseguido um faturamento bruto superior a R$ 520 mil.
Sobre a interrupção da fiscalização terceirizada, a assessoria do DER informou ontem que isso ainda não tem data definida para acontecer. Apesar de o governo ter definido sobre a suspensão das multas terceirizadas, essa decisão ainda precisa ser oficializada e comunicada para a Cosladel, empresa com a qual o DER possui um contrato de prestação de serviço. O governo está tentando negociar, através da Secretaria de Transportes, os termos para a rescisão contratual com a Cosladel.
A maioria dos motoristas flagrados pelos radares terceirizados recorre das multas junto ao DER. Das aproximadamente 3,5 mil multas emitidas, em torno de 2,5 mil terminam com recursos de defesa. No entanto, a maioria das defesas são negadas, uma vez que a fotografia com o registro do excesso de velocidade é encarada como prova incontestável da infração.Dados do DER mostram que a Colasdel, que atua em cinco regiões do Estado, aplica três vezes mais multas do que a Polícia Rodoviária
Arquivo FolhaNotificaçõesEmpresa que faz fiscalização no Estado opera com 10 radares e consegue emitir três vezes mais multas

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