Luciana Pombo
De Curitiba
O coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Roberto Baggio, acredita que a terceirização da reforma agrária no País irá motivar a violência no campo. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, uma parcela da reforma agrária seria destinada a fazendeiros e empresários que cuidariam diretamente do assentamento de famílias e poderiam lucrar com o negócio. ‘‘Isto demonstra que o governo federal está renunciando a solução dos problemas da terra, está lavando suas mãos, tratando a reforma agrária como um problema de mercado’’, ironizou Baggio.
De acordo com ele, com a terceirização – chamada por ele de privatização da reforma agrária – aumentam a pobreza, a violência e a impunidade no campo. ‘‘É função do Estado fazer a reforma agrária. É uma tarefa constitucional’’, disse.
A proposta federal prevê ainda a pena de até três anos de prisão para quem ingressar e permanecer sem autorização em terras da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos municípios. Para as ocupações, a pena poderá chegar a quatro anos. ‘‘A ocupação da terra é legítima, é nosso meio de pressão. O que o governo federal tenta é criminalizar a luta pela terra’’, reagiu.
O assessor de assuntos fundiários do Estado, Antonio Carlos Coelho, disse que a notícia o pegou de surpresa. ‘‘Nunca imaginei isto, pensei em terceirizar os serviços de projetos e vistorias. Mas nunca entregar aos fazendeiros o direito de gerenciar o processo de reforma agrária’’, afirmou.
José Carlos Araújo Vieira, que responde interinamente pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária do Paraná (Incra), disse anteontem que ainda não recebeu qualquer proposta oficial do governo federal.

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