Terceira parcela da ajuda deve sair antes do fim de junho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de abril de 1999
Por Monica Yanakiew 
Washington, 24 (AE) - Uma delegação do Fundo Monetário Interncional (FMI) viajará no início de maio para o Brasil, para participar de um seminário com o Banco Central e iniciar a terceira revisão do programa brasileiro. Segundo a chefe da missão, Teresa Ter-Minassian, tudo indica que o Fundo liberará a terceira tranche de seu empréstimo (cerca de US$ 1,8 bilhão) antes do final de junho.
"Está claro hoje que os indicadores são melhores do que haviamos previsto", disse Ter-Minassian. Segundo ela, o FMI provavelmente reavaliará suas previsões de recessão e inflação.
Atualmente o Fundo calcula que a economia brasileira sofrerá uma contração de quase 4% este ano (o dobro do que acha o governo) e que o Índice Geral de Preços (IGP) até o final do ano será de 16,8%. "Mas esses números devem ser revistos para baixo", disse Ter-Minassian.
Já o desempenho da balança comercial brasileira, que foi pior do que o esperado, será compensado pelos resultados da conta corrente, que foram superavitários.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos bancos, cujas investigações já chegaram a afetar a bolsa no Brasil, não preocupa o FMI, disse hoje o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo, Claudio Loser. Muito pelo contrário: é considerado um evento comum nas democracias.
"Em toda democracia que funciona, o Congresso tem o direito de investigar denúncias de fatos irregulares", disse Loser. "E nos defendemos justamente isso: a clareza, transparência e responsabilidade dos funcionários públicos", acrescentou.
Loser tampouco teme que os parlamentares atrasarem a aprovação de novas reformas, como a tributária, por causa da CPI. Ele acredita que é possível tratar dos dois assuntos simultaneamente.
América Latina - Loser também manifestou o "otimismo cauteloso" do FMI em relação à América Latina, como um todo. Ele justificou suas previsões com uma série de dados: a recuperação das economias asiáticas, a retomada da demanda mundial, e o aumento dos preços do petróleo, que cresceram em 50% este ano, depois de terem caído 40% em 1998.
Loser também citou o fato de que muitos países latinoamericanos terem voltado a ter acesso aos mercados internacionais. De janeiro até agora, a região lançou bonus num total de US$ 15 bilhões. "É o dobro do que foi colocado na segunda metade de 1998", disse Loser.
Outra boa notícia, disse Loser, foi que o "spread" caiu aos níveis anteriores à desvalorização na Rússia, em agosto passado. E os preços das ações latino-americanas subiram, em dólares, de 15% a 50% este ano.
Também houve uma queda na pressão sobre os mercados cambiais, depois que o Brasil concluiu seu novo programa. No entanto, ainda existem riscos, alertou Loser. Os preços de petróleo podem ter subido, mas estão abaixo dos níveis de 1997 em 20%. Outros produtos continuam baratos. E o spread, mesmo menor, continua sendo superior do que ha um ano.


