Terceira idade gasta mais com saúde
Os técnicos recorreram à Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) feita em 1996 para mostrar os principais gastos dos idosos e chegaram à conclusão que a maior parte da renda, 13,5%, vai para serviços de assitência de saúde. Na população de menos de 60 anos, esse tipo de gasto representa 7% do total. Em segundo lugar vem a compra de remédios e outros produtos farmacêuticos, com 9,7%, enquanto para a população que tem menos de 60 anos este item ocupa apenas 4,16% dos gastos.
Os idosos revelaram-se também bons apostadores. Gastam em média 1,22% da renda em jogos e apostas, enquanto entre os mais jovens esse tipo de gasto não passa de 0,7%. Uma nova POF está sendo feita no País inteiro e ficará pronta em 2003.
O levantamento revela que são do Nordeste os cinco Estados que têm os maiores porcentuais de idosos chefes de família. Em boa parte, o fenômeno é explicado, segundo a chefe do Departamento de Indicadores Sociais, Ana Lúcia Sabóia, coordenadora da pesquisa, pelo retorno de trabalhadores que no passado mudaram-se para o Sul ou Sudeste em busca de emprego. ''Há uma migração de retorno dos mais velhos, que chegam de volta a seus Estados com algum dinheiro acumulado'', diz Ana Lúcia.
A Paraíba é o Estado que tem a maior proporção de chefes de família idosos, chegando a 25,7% do total de chefes de família do Estado. Em seguida vêm Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Piauí. ''Por ter rendimento médio menor, o Nordeste tem mais famílias dependentes do idoso'', diz a coordenadora.
Os técnicos alertam que, se a ampliação da aposentadoria melhorou o rendimento dos idosos, há o aspecto preocupante de que o envelhecimento da população ''provoca fortes pressões no sistema previdenciário e de assitência social''. Um desafio para esta década, lembram os demógrafos, será também encontrar formas de atender às demandas da população idosa, cada vez mais independente e vivendo sozinha. Transportes e equipamentos urbanos adaptados a essa população da terceira idade são demandas, segundo a coordenadora da pesquisa, Ana Lúcia Sabóia, que certamente virão à tona em breve.





