Terapia trata tuberculose com menos medicamentos
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 2010
Liege Albuquerque<BR> Agência Estado 
Manaus- Mais de cem pessoas que tinham abandonado o estressante tratamento usual contra tuberculose no Amazonas retornaram nos últimos dois meses aos hospitais públicos em busca da nova terapia ''importada'' da Índia. Pioneiro no Brasil e batizado de ''4 por 1'', a novidade reduz em até 60% o número de pílulas ingeridas por dia pelo paciente da doença.
Uma pessoa com cerca de 60 quilos, que toma nove comprimidos diariamente, necessita ingerir apenas quatro com a nova técnica. ''O tratamento médio é ainda por seis meses, mas só essa diminuição no número de pílulas felizmente já tem feito pacientes retornarem ao tratamento'', comemora a coordenadora estadual do plano de controle da tuberculose, Irineide Assunção Antunes.
No Amazonas, o porcentual de abandono ao tratamento à doença é de 12% e a Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que o aceitável é abaixo de 5%. O maior problema quando o paciente abandona o tratamento é que os sintomas melhoram, mas ficam mascarados e o bacilo continua incubado e sendo transmitido por tosses e espirros. Ao ser abandonada ou diminuída a ingestão dos comprimidos, em vez de seis meses, o procedimento se estende para até 18 meses.
Irineide disse que outro avanço no tratamento indiano é a inclusão de uma droga usada em estágios avançados da doença, o etambutol, logo no início da terapia. ''A droga contribui para diminuir a resistência do bacilo de Koch no organismo das pessoas e combatê-la com mais eficácia'', destacou. As outras drogas são rifampicina, isoniazida e pirazinamida. As quatro agora vêm juntas no ''4 em 1'' ou Coxcip-4.
Em novembro do ano passado, a Secretaria Estadual de Saúde treinou 170 médicos, enfermeiros e fisioterapeutas de hospitais que tratam a tuberculose no Estado para informar sobre o novo tratamento na capital. O interior, que tem menos casos da doença, deve receber este mês profissionais capacitados, antes do Dia Mundial de Controle da Tuberculose, em março. ''A meta é atingir ainda este ano índice de cura acima de 85%, atualmente em 74%'', explicou Irineide.
O Amazonas é o campeão nos casos de tuberculose no País, seguido pelo Rio de Janeiro. Dos 2,5 mil casos da doença no Estado no ano passado, 75% ocorreram em Manaus e houve 50 mortes. Em todo o mundo, o Brasil ocupa posição de número 18 no ranking de casos da doença.
Os principais sintomas da doença são tosse com mais de três semanas, falta de apetite, emagrecimento, dor no peito, suores noturnos, cansaço fácil e febre baixa, geralmente no período da tarde. A prevenção à tuberculose é feita com a vacina BCG, aplicada em recém-nascidos.


