São Paulo, 30 (AE) - Pesquisadores americanos estão desenvolvendo uma terapia genética que poderá ajudar pacientes cardíacos, em especial os que esperam por um transplante de coração. A pesquisa, realizada por Walter J. Koch, da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, conseguiu inserir genes terapêuticos no coração de animais, estimulando o funcionamento e tornando o órgão mais sensível a medicamentos.
Koch acredita que essa nova técnica será recomendada para pacientes que sofrem de insuficiência cardíaca e aguardam transplante. O pesquisador especula que, após a próxima fase dessa pesquisa, que será testada em humanos, a técnica poderá ser usada para tirar os pacientes definitivamente da lista de espera do transplante. "A insuficiência cardíaca poderá ser controlada pela terapia genética", antecipou.
A terapia aumenta a força com que o coração se contrai, permitindo que o sangue circule normalmente pelo corpo. Quando um paciente sofre de insuficiência cardíaca, o músculo responsável pela contração enfraquece, diminuindo, assim, a quantidade de sangue que circula pelo corpo.
Em entrevista por telefone, Koch disse esperar que a técnica esteja disponível em cinco anos. "Ainda estamos revendo alguns detalhes que podem ser aprimorados", disse Koch. Primeiro, o pesquisador descobriu os genes responsáveis pelo funcionamento do coração. Depois, desenvolveu uma forma de inserir os genes no coração de um coelho. Para isso, o pesquisador usou um vetor: o vírus da gripe, chamado adenovírus. "Nós alteramos o adenovírus geneticamente, tornando-o inócuo e colocando os genes necessários em sua composição", disse o cientista.
Após criar o transporte para os genes, o médico precisou desenvolver uma forma de inserir o vírus no coração. Realizando uma cirurgia cardíaca, Koch fez uma pequena incisão para pôr o vírus no ventrículo esquerdo do coração. Ao mesmo tempo, ele fechou a saída de sangue do coração, a aorta, durante 30 segundos. "Precisávamos manter o sangue no ventrículo para que o vírus conseguisse entrar nas células cardíacas", disse.
Koch conseguiu fazer com que o coração do coelho batesse com força até 20% maior do que o normal. No entanto, em coelhos, esse quadro se manteve durante três meses. Segundo o médico, esse período é o suficiente para tornar um quadro grave em crônico, fazendo com que o paciente não precise de um transplante.

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