O primeiro estudo mundial com uso de células-tronco para tratar diabetes tipo 1 mostra mais casos de resultados positivos. Publicada na revista científica Journal of the American Medical Association (JAMA), a pesquisa revelou que após o transplante de células-tronco em pessoas com diagnóstico recente de diabetes tipo 1, o pancrêas voltou a funcionar, dispensando o uso de insulina.
Hoje, dos 23 participantes da pesquisa, 20 deixaram de usar insulina em algum momento - por meses ou anos. O recorde, segundo o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, um dos autores do estudo, é de quatro anos e oito meses sem usar insulina. ''E mesmo aqueles que voltaram a usar, foram em doses pequenas. A dependência de insulina desses pacientes é cada vez menor, pois com o passar dos anos seus organismos voltaram a produzir o hormônio naturalmente''.
O estudo inédito é feito na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), e teve início em 2003. Dois anos depois de iniciado, oito dos 11 voluntários estavam sem usar insulina, dois utilizavam em pouca quantidade, e apenas um não havia tido resposta favorável. Hoje, dos 23, três não tiveram nenhuma resposta com a terapia celular. Um dos pacientes voluntários de Londrina, o jovem Felipe Costa do Carmo, que começou o tratamento há dois anos, quando tinha 15, está desde então sem fazer uso de insulina.
O diabetes tipo 1 é uma doença em que o próprio sistema imunológico agride o pâncreas, que para de produzir insulina. O hormônio é fundamental para a regulação e manutenção dos níveis desejáveis de açúcar no sangue, e se não é produzido pelo organismo, precisa ser reposto de alguma maneira, por meio de injeções (canetas ou seringas), bombas de infusão ou de forma inalável.
A idéia, segundo Couri, é desligar e religar o sistema imunológico para que pare de agredir o pâncreas. Isso é feito em pacientes recém-diagnosticados, ''que ainda não tiveram todo o órgão destruído''. ''A idéia é que resetando o sistema imunológico ele passa a funcionar normalmente'', explica. E o papel das células-tronco é regenerar o sistema imunológico, permitindo que o pâncreas volte a produzir insulina.
O mesmo conceito de desligar e religar o sistema imunológico pode funcionar com outras doenças auto-imunes graves, como lúpus, artrite reumatóide e esclerose múltipla - e é por isso que todas também são alvo de pesquisa pelo mesmo grupo da FMRP-USP.
O alvo específico da pesquisa é o diabetes tipo 1, segundo o médico, porque o tipo 2 tem um mecanismo diferente. No tipo 2, a doença ocorre por causa da obesidade, que leva a uma resistência a ação da insulina, e não à ausência de produção do hormônio.
Quando se fala em células-tronco, ressalta Couri, é preciso que fique claro que tudo ainda está no campo da pesquisa e que não é possível falar em cura. ''Ainda estamos aprendendo sobre células-tronco e a longo prazo ainda não sabemos o que pode acontecer'', afirma.
Serviço:
Cadastro de voluntários pelo e-mail [email protected]

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