As jovens entrevistadas pela Folha têm razões parecidas para justificar o uso de anfetaminas: a dificuldade para emagrecer e a pressa para conseguir isto, sem ter que recorrer a dietas e exercícios físicos.
A., de 30 anos, usou ''boleta'' pela primeira vez aos 17 anos, e novamente, dois anos depois. Da primeira vez, foram seis meses de uso do medicamento e alterações no lado psíquico: ''era calma e fiquei agressiva''. Da segunda vez, foram oito meses de uso, e efeitos colaterais como tontura e diarréia. ''Reconheço que fui inconsequente tomando uma dosagem tão forte, cheguei a tomar 150 mg de anfepramona por dia''.
Hoje A. está magra, mas reconhece que está ''ficando dependente'' do medicamento: ''é o medo de voltar a ser gorda. Ter a 'boleta' em casa é como se fosse uma garantia que não vou voltar a engordar'', desabafa.
J., de 28 anos, e P., de 30 anos, não se consideram dependentes do medicamento, mas sabem que correm esse risco. ''Esse que eu tomo agora é fraco perto dos que eu já tomei. Não tenho medo porque nunca senti nada, mas sei que é uma droga e, se não ligasse, não teria diminuído a dose'', constata J. Na primeira vez que usou o medicamento J. ''sentia a boca amarga e muito sono'': ''não tinha fome para nada, só tomava água porque tinha que tomar'', lembra.
''Se eu tomar só a anfetamina fico 'elétrica', por isso uso o calmante para rebater um pouco do efeito'', conta P., que tem familiares que também usam o medicamento.
J. e P. relatam que é fácil conseguir receitas para comprar anfetamina em Londrina, e que nem sempre as pacientes tem acompanhamento médico: ''alguns médicos mal olham para tua cara, nem perguntam se você tem algum problema de saúde e já passam a receita, para 60 dias. Depois, quando o remédio está para acabar, é só marcar a consulta, e nem é preciso entrar no consultório, porque a secretária te dá outra receita para mais 60 dias''.(C.P.)

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