Teólogos afirmam que religioso não tem sucessor
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de junho de 1997
Agência Folha 
SÃO PAULO - Frei Damião não deixou sucessores, e a sua morte encerra um ciclo de sacerdotes messiânicos adorados como santos no Nordeste, segundo religiosos e teólogos. Antes dele, neste século, houve o padre Cícero (1844-1934). Histórica e religiosamente, os dois têm diferenças, mas no imaginário popular ambos ocupam o mesmo espaço, na opinião do doutor em teologia Inácio Strieder.
A formação dos religiosos de hoje é diferente da que eles tiveram. Dentro da Igreja Católica não vejo nenhuma perspectiva de sucessores com esse estilo, diz Strieder, que é professor de filosofia na Universidade Federal de Pernambuco.
Padre Cícero foi sacerdote e político (chegou a ser prefeito e deputado federal), centrou suas atividades na região do Juazeiro do Norte (CE) e teve conflitos com a Igreja. Frei Damião, embora tenha tido sua imagem utilizada por alguns políticos, nunca exerceu atividade política, fazia pregações por todo o Nordeste e teve uma atuação voltada prioritariamente para o terreno religioso. Para o bispo de Petrolina, d. Paulo Cardoso, o trabalho desempenhado pelo frei Damião era único e não poderá ser cumprido por outro. A forma de comunicação de frei Damião também está enfraquecida nos dias de hoje. O frade fazia questão de falar pessoalmente com cada fiel, nem que para isso tivesse de passar horas escutando pessoas que faziam fila para ouví-lo e receber sua bênção.


