Tentativas de fuga crescem no final do ano
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quarta-feira, 07 de novembro de 2012
Danilo Marconi e Lucio Flávio Cruz <br> Reportagem Local 
Londrina - A proximidade com o final do ano aumenta o número de tentativas de fugas nos presídios e carceragens das delegacias. Em Londrina, nos últimos 25 dias, houve uma rebelião na Casa de Custódia (CCL) e duas fugas frustradas no 5º Distrito Policial (DP), na zona norte. A superlotação das prisões também eleva o risco.
Os distritos de Londrina que possuem carceragem estão superlotados. O 5º DP está com 105 detentos, quatro vezes a mais que a capacidade máxima, que é de 25. O 4º DP abriga 59 presos e tem capacidade de 24. Já o 3º DP, que é ocupado apenas por mulheres, tem 69 detentas em um espaço que suporta apenas 36. Já o 2º DP passou a atender o regime semiaberto e conta com 135 presos, dos quais 70 trabalham durante o dia.
Nas penitenciárias o cenário não é diferente. A unidade I da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) tem 621 presos e a capacidade máxima é de 580. Na unidade II da PEL são 1.080 detentos para uma capacidade de 986. Já na CCL estão abrigados 285 detentos e a capacidade é de 288. Uma das galerias da CCL, onde estavam abrigados 100 presos, está interditada em virtude da rebelião do dia 12 de outubro.
''Neste período do ano o número de tentativas de fuga realmente aumenta. Mas nós estamos preparados permanentemente, junto com as áreas de segurança e inteligência para identificar estes focos e coibir este tipo de ação'', afirmou o diretor do Departamento Penitenciário (Depen) do Paraná, Maurício Kuehne.
Policiais civis frustraram ontem uma tentativa de fuga de presos no 5º DP, ao identificarem a escavação de um túnel. Semana passada foram apreendidos celulares, brocas e estoques no local. Desta vez, após varredura na carceragem, foram apreendidos os mesmos tipos de objetos.
''Esse material entrou num curto período de tempo, vamos ter que apurar se foram arremessados (para dentro da unidade) ou durante as visitas'', revelou o delegado Jaime José de Souza Filho. As visitas foram suspensas até que esse trabalho investigativo seja concluído.
Menos de 15 pessoas trabalham na unidade. As celas ficam abertas o tempo todo e presos ocupam até os corredores. As transferências para unidades prisionais deixaram de ser feitas no início do mês passado após a rebelião na CCL.
''Dificulta muito o trabalho dentro da unidade, um complicador evidente, porque aqui não há uma mera custódia, tem saídas para audiências e transferências para questões de sa© úde'', explicou. ''Está insustentável. A Vara de Execuções tem que fazer alguma coisa'', criticou o delegado-chefe da 10Subdivisão, Márcio Amaro.
A juíza da Vara de Execuções Penais (VEP), Márcia Guimarães da Costa, informou que determinou a transferência de oito presos para a CCL e que nos próximos dias novos detentos também serão remanejados do 5º Distrito.
O Depen alega que com a rebelião na CCL a unidade ficou com 100 vagas a menos, o que dificultou a transferência de 15 presos por semana, como havia sido acordado entre a Secretaria de Segurança e Justiça. Sobre a reforma na galeria danificada na rebilião da CCL, o diretor-geral da Secretaria de Justiça (Seju), Leonildo de Souza Grota, afirmou que os recursos devem ser liberados ainda esta semana e com isso em 15 dias a reforma estará finalizada e a unidade poderá voltar a receber presos neste setor.
Em virtude da superlotação, os policiais têm que conviver com as constantes ameaças de fuga e rebeliões e os presos estão com a saúde comprometida. ''Eles estão com quadro alérgico por conta da alta umidade nas celas. Não é um surto, mas a alergia gera coceira e, consequentemente, feridas na pele'', revelou o assessor da Pastoral Carcerária, padre Pedro Edivan dos Santos.
Ele inspecionou ontem a carceragem a pedido da Promotoria de Saúde Pública. O promotor Paulo Tavares, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Comissão de Direitos Humanos (CDH), da Pastoral Carcerária e membros da cúpula da Polícia Civil fazem uma nova vistoria hoje no 5º DP. ''Vamos solicitar informações e providências das autoridades de segurança do Paraná e podemos até pedir a intervenção do Poder Judiciário'', relatou Tavares.


