Rio, 23 (AE) - A tentativa de assalto, ontem, no Aeroporto Internacional Tom Jobim, que deixou cinco feridos, expôs a falta de segurança do segundo maior aeroporto do País - atrás apenas de Guarulhos, em São Paulo -, por onde circulam 35 mil pessoas por dia. Em menos de um ano, este foi o terceiro caso grave registrado no local. Em janeiro, um carregador de malas foi assassinado no estacionamento e, em outubro, assaltantes levaram R$ 310 mil dos malotes de seguranças da Transpev Transporte de Valores, a mesma empresa envolvida no caso de ontem.
A companhia trabalha para as agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, instaladas no terceiro andar do aeroporto. Como no assalto de outubro, os ladrões tentaram roubar os malotes, mas os seguranças reagiram. Houve uma intensa troca de tiros, que durou cinco minutos, no saguão de embarque do setor verde do aeroporto, onde são feitos os check-in de vôos domésticos e internacionais. Cerca de 30 cápsulas foram deflagradas no tiroteio.
Hoje, ainda era possível ver as marcas de balas nas paredes. "Não sei como ninguém morreu", comentou um carregador de malas que viu todo o tiroteio. "Isso aqui virou uma verdadeira favela". Na hora, havia aproximadamente 50 pessoas no local - muitas se jogaram no chão para se proteger dos tiros. Dos cinco feridos, só o argentino Jorge Daniel del Neri, que levou dois tiros - um no braço e outro nas nádegas - continua hospitalizado, mas está fora de perigo. Culpa - Nem a Infraero nem o governo do Estado assumiram a culpa pela tentativa de assalto. Preferiram ficar num jogo de empurra. "O policiamento ostensivo da área externa, que é feito pela Polícia Militar, é insuficiente", disse o chefe da Segurança da Infraero, Washington Santana, que tem 65 homens desarmados para cuidar dos 15 quilômetros quadrados de área do aeroporto.
"Quando entrei aqui, há 21 anos, havia um pelotão de 35 PMs; hoje são apenas dois homens para cuidar da segurança", lamentou Santana. O coronel do 17.º Batalhão da Polícia Militar, na Ilha do Governador, Paulo Sérgio Santos, reconhece a falta de policiamento, mas se exime da culpa. "Há 21 anos, tínhamos 1,2 mil homens; hoje são 400", Idiotas - Em Brasília, porém, o governador do Rio, Anthony Garotinho, disse que o tiroteio não foi motivado pela falta de policiamento, mas pelos seguranças das empresas de vigilância que reagiram ao assalto. Ele informou que vai assinar um decreto proibindo a circulação de valores em áreas de grande movimentação pública.
O secretário de Segurança, gerenal José Siqueira, foi mais além: culpou os assaltantes. "Um esforço de três meses para melhorar a imagem do Rio foi posto por água abaixo por cinco idiotas que não têm espírito de coletividade".

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