Tentativa de assalto a aeroporto do Rio termina em tiroteio; cinco feridos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 12 (AE) - Pela segunda vez este ano, o Aeroporto Bartolomeu Lizandro, em Campos, no norte fluminense, foi alvo de assaltantes. Ontem (11), pelo menos 20 homens invadiram a pista, atirando contra um bimotor da TL Táxi Aéreo, que transportava malotes de valores da empresa Prosegur Brasil. Seguranças que aguardavam o avião reagiram e houve troca de tiros. Cinco pessoas ficaram feridas. A perícia encontrou 200 cartuchos de fuzis AR-15, AK-47 e FAL espalhados na pista e marcas do tiroteio no avião, que foi alvejado quando aterrissou no aeroporto, e no posto de abastecimento de combustível.
O tiroteio durou 15 minutos. Mesmo o reforço da segurança, depois do primeiro assalto, em 15 de janeiro quando foram levados R$ 870 mil da Brinks Transportadora, não inibiu os criminosos. Usando sete carros - dois S10, uma Blazer, uma Topic
um Verona, um Gol e um Vectra - , o grupo entrou no aeroporto por um terreno baldio, à esquerda da pista, por volta das 19 horas de terça-feira. Eles arrebentaram a cerca de arame e atiraram contra seguranças que esperavam na pista, ao lado de dois carros-fortes, o descarregamento dos valores. Os assaltantes não esperavam a reação dos vigilantes e abandonaram o aeroporto, depois de intenso tiroteio.
A situação só não foi mais grave por dois motivos: a carreta de abastecimento de aeronaves foi atingida de raspão, o que não provocou explosão, e o vôo de passageiros para o Rio decolaria 90 minutos mais tarde e por isso o aeroporto estava vazio. Durante a troca de tiros, os vigilantes Hugo Marques Barros e David Avelar foram alvejados no rosto e na perna, respectivamente. Barros perdeu a visão do olho esquerdo. Donato Mendonça e Roseane da Piedade Rangel, moradores das redondezas, ficaram feridos por bala perdida, mas não correm risco de vida. O piloto do avião, William Petersen de Souza, teve o rosto machucado por estilhaços do painel. Segundo a perícia, se o piloto não tivesse se abaixado, uma das balas o teria atingido na cabeça.
Os assaltantes abandonaram os carros durante a fuga, num raio de oito quilômetros em torno do aeroporto. Todos, exceto a Blazer, foram incendiados. A polícia ainda não tem pistas dos criminosos. O delegado João Custódio Rajão, responsável pelo caso, investiga a hipótese de o crime ter sido cometido por integrantes da mesma quadrilha que assaltou o aeroporto em janeiro. DAC - O Departamento de Aviação Civil do Ministério da Aeronáutica (DAC) se reuniu na tarde de hoje com a Empresa Brasileira de Segurança Aeroportuária (Infraero), Associação Brasileira de Transportes de Valores, Sindicato Nacional de Empresas de Táxi Aéreo, entre outras instituições, para discutir propostas da regulamentação de transportes de valores. Em janeiro, o DAC baixou portaria proibindo esse tipo de carga em aviões de passageiro, mas abriu exceção, em cinco de abril, para jóias e outros itens. No dia 20 do mesmo mês, essa flexibilização foi revogada.


