KIRYAT SHMONA, Israel, 01 (AE-REUTERS) - O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu assinalou hoje (01) o fim de uma rodada de ataques israelenses contra alvos do Hizbollah no Líbano que seguiu- se ao assassinato de um general do exército, dois soldados e um jornalista.
Num sinal do alívio das tensões, militares de Israel disseram a moradores do Norte na tarde de hoje que eles podiam abandonar abrigos subterrâneos nos quais passaram as últimas 24 horas enquanto aviões israelenses atacavam guerrilheiros do pró-iraniano Hizbollah.
"Nossa mensagem foi simples: que cidadãos e cidades israelenses não mais serão alvos de ataques de foguetes Katyushas e que qualquer um que nos atingir receberá um golpe milhares de vezes mais forte", disse Netanyahu sobre os ataques aéreos israelenses.
"Isto foi um sinal do que acontecerá na próxima vez, e espero que não haverá uma próxima vez", afirmou ele num discurso na cidade fronteiriça nortista de Kiryat Shmona depois do anúncio que os moradores podiam sair dos abrigos.
Mais cedo, fontes de segurança israelenses disseram que as forças armadas não iriam promover mais ataques caso as guerrilhas se abstivessem de disparar foguetes em Israel.
O Hizbollah luta para expulsar tropas israelenses da faixa de 15 km de profundidade no sul do Líbano que Israel estabeleceu em 1985 a fim de impedir potenciais ataques guerrilheiros contra suas fronteiras.
Israel lançou a ofensiva horas depois que uma bomba detonada por controle remoto plantada ao lado de uma estrada explodiu na passagem de um comboio em sua zona de ocupação no domingo, matando o brigadeiro-general Erez Gerstein, dois soldados e um jornalista.
Netanyahu também disse que foguetes Katyusha atingiram a Galiléia do Norte no domingo.
Gerstein comandava a unidade de ligação com a milícia pró-Israel Exército do Sul do Líbano e foi o oficial de mais alta patente a morrer em combate no Líbano desde os primeiros dias da invasão israelense de 1982 de seu vizinho nortista.
O gabinete de segurança de Netanyahu reuniu-se por mais de três horas hoje para discutir a resposta de Israel.
Os Estados Unidos expressaram preocupação com as tensões depois que Israel prometeu atacar as guerrilhas do Hizbollah "por terra, mar e ar".
Mas nenhuma atividade militar incomum era aparente além dos ataques aéreos, que cessaram na manhã de hoje.
O exército anunciou que os aviões atingiram "alvos de infra- estrutura" do Hizbollah, incluindo o quartel-general dele na cidade libanesa de Baalbek , e bombardeou depósitos de munição.
Na cidade sulista libanesa de Tiro, o Hizbollah anunciou que dois de seus guerrileiros - Adnan Hassan, 26 anos, e Hussein Mughniya, 23 anos - morreram nos ataques.
Enquanto o grupo lamentava a morte de seus "mártires", um alto oficial do Hizbollah jurava manter sua luta pelo fim da ocupação israelense do Sul do Líbano.
"Consideramos que é nosso direito promover ataques contra israelenses. Não podemos aceitar a ocupação de nossas terras. Nada irá nos impedir de promover operações para libertá-las," disse o vice-secretário-geral do grupo, Naeem Qassem.
Os ataques aéreos e as ameaças de uma ofensiva foram a maior escalada no fervente conflito de Israel no Líbano desde um assalto militar israelense de 1996 que deixou mais de 200 libaneses mortos - a maioria civis - e provocou a fuga de milhares de suas casas.
"Estou certo de que a mensagem foi entendida pelo Hizbollah, pelo governo libanês - e acredita que também por outros", disse Netanyahu em Kiryat Shmona, numa referência indireta à Síria, a maior força militar no Líbano.
Netanyahu afirmou que junto com a mostra de força , "Israel está continuamente fazendo esforços - algumas vezes publicamente e algumas vezes secretamente - para encontrar uma forma de remover as forças israelenses do Líbano sem colocar em risco a fronteira nortista".
As mortes de domingo elevaram para sete o número de israelenses mortos no Líbano desde o começo do ano - todos eles em dois incidentes na última semana - comparado com os 21 que morreram em ação durante todo o ano de 1998.
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