TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL - TPM INCOMODA MUITA GENTE
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domingo, 10 de junho de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Teoricamente apenas as mulheres em idade reprodutiva sofreriam com os sintomas da tensão pré-menstrual (TPM). Mas não. Mesmo os homens não ficam indiferentes ao assunto. Isto porque os incômodos dessa fase repercutem no trabalho, no relacionamento de casais e na vida de toda a família. ''É um assunto muito sério, mas pouco se fala, porque pouco se entende, não só entre a população, mas na classe médica'', alerta o ginecologista Carlos Alberto Petta, professor de ginecologia da Universidade de Campinas (Unicamp) e membro da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasco) e da Sociedade Européia de Reprodução Humana.
Para exemplificar, ele cita pesquisas publicadas na PharmacoEconomics & Outcomes News Weekly que apontam que 45% das tentativas de suicídio entre as mulheres acontece na semana que precede a menstruação, que 52% das mulheres admitidas no hospital após acidentes sérios também estão nessa fase, que 70% das mulheres afirmam que a TPM afeta as relações com parceiros e familiares, e 60% as atividades diárias e o desempenho profissional. ''O impacto é na vida de toda família'', ressalta.
A TPM, segundo o médico, é caracterizada por sintomas físicos e emocionais, que aparecem de sete a dez dias antes da menstruação e normalmente passam depois de 48 horas do início do ciclo. Os principais são dor de cabeça, dor nas mamas, inchaço, cólicas, alteração de apetite, ansiedade, irritabilidade, depressão e mudança de humor.
Em algumas mulheres há predominância dos sintomas físicos, em outras, dos emocionais, e 6% têm a forma grave da doença, a chamada síndrome disfólica pré-menstrual (SDPM), em que os sintomas são mais intensos. ''Vários sintomas de outras doenças, como asma, artrite, ansiedade, depressão, esclerose múltipla e diabetes, pioram na TPM. Por isso, ela não é só um problema ginecológico'', alerta Petta.
Pela definição do código internacional de doenças (CID-10), considera-se que tem TPM quem já teve alguns dos sintomas físicos e emocionais da doença. ''Por esse critério 90% das brasileiras têm TPM'', critica o médico. Já o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia é mais rigoroso e considera que a mulher tem TPM se apresenta um sintoma emocional e um sintoma físico em pelo menos três ciclos menstruais consecutivos.
Para o psiquiatra, psicoterapeuta e escritor Flávio Gikovate, de São Paulo, o grande problema em relação a doença é que até algum tempo era considerada ''frescura de mulher'', o que desconsidera as inter-relações entre organismo, cérebro e alma. ''Para mim, as variações hormonais realmente determinam interferência no sistema nervoso central'', afirma. Interferência que refletiria no metabolismo da serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem estar.
As oscilações de humor, segundo ele, podem variar muito, dependendo da maturidade da mulher, e da própria suscetibilidade à oscilação da serotonina. Aquela que já tem perfil mais ''estourado'', fica ainda mais intolerante durante a TPM. ''Aquelas com perfil mais imaturo e egoísta tendem a ter reações de natureza agressiva e se sentem mais facilmente irritadas e impacientes'', afirma. Nas que tem o perfil mais maduro, os sintomas são outros. ''Elas sofrem mais com depressão, angústia, desânimo e retraimento social'', diz.


