Dor de cabeça ou de ouvido persistente. Noites maldormidas e zumbido no ouvido ao acordar. Tudo isso pode ter origem onde menos se espera - nos dentes. O bruxismo, distúrbio caracterizado pelo apertar e ranger dos dentes, atinge de 20% a 30% da população adulta, e normalmente tem sua causa no estresse. ''Por isso, a tendência é que a incidência da doença aumente'', alerta o cirurgião dentista Walter Gomes de Oliveira, de Londrina.
Oliveira explica que normalmente a pessoa não percebe que está rangendo os dentes enquanto dorme, mas atrapalha - e muito - o companheiro ao lado. ''É um barulho 'fantasmagórico', daí a origem do nome. Quem range o dente não percebe, mas no dia seguinte vem o mal estar'', enfatiza.
Ele alerta que, mal-estar à parte, o bruxismo pode ter consequências graves - danos na gengiva, desgaste do esmalte dos dentes e dor na musculatura da articulação temporomandibular (ATM). E em crianças, que ainda não têm a ATM totalmente formada, a doença pode comprometer a arcada dentária. ''Já vi casos da pessoa estar com os dentes desgastados pela metade. A pessoa pode quebrar ou perder os dentes e às vezes chega a um ponto em que o tratamento fica difícil'', alerta.
O tratamento mais comum é o uso noturno de uma placa feita em resina acrílica encaixada na arcada superior dos dentes. A placa reduz a atividade dos músculos durante a noite e protege os dentes do desgaste. Segundo o dentista, a pessoa vai dormir com a placa por um período mínimo de seis meses, e ao final do prazo será reavaliado a continuidade do uso. ''Para pacientes com muito estresse no trabalho também é indicado o uso durante o dia'', ressalta.
Como a tensão emocional, a ansiedade, a raiva, a agressão reprimida, o estresse, o medo e as frustrações podem estar entre as causas do ranger de dentes, há casos em que também é necessário um tratamento complementar, com psicólogo ou psiquiatra. ''Nestes casos, o paciente precisa também mudar o estilo de vida, para ter mais paz e tranquilidade'', afirma.

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