‘‘Eu não acreditava no que estava acontecendo. Segurei na mão da minha irmã e passamos a rezar juntas’’, conta Patrícia Ribeiro, 22. Ela e a irmã Helena, 19, estavam entre os 160 passageiros que viveram mais de uma hora de tensão no vôo 988 da United Airlines.
Elas não foram as únicas a rezar. O rabino Izaack Raiber, 36, afirma que o grupo que o acompanhava orava em hebraico. ‘‘O avião passou a subir de uma forma estranha e muita fumaça saía da turbina. Fiquei desesperado’’, disse ele, que estava na parte traseira do Boeing.
Uma faísca na turbina direita fez com que os passageiros tivessem a sensação de que o avião pegaria fogo. As luzes internas começaram a acender e apagar.
‘‘De repente, a gente viu um clarão e pensou que fosse pegar fogo. Graças ao piloto, correu tudo bem. Ele foi um herói’’, afirmou o estudante Ricardo Gurkraut, 21, que viajava com uma comitiva de 42 judeus que participariam de um congresso em Nova York.
O estudante Félix Monteiro, 14, viajava sozinho. Ele estava indo passar as férias na casa da irmã. ‘‘Nunca senti tanto medo. Meu corpo ficou travado. Só pensava em Deus e na minha família.’’
Mas não só os passageiros viveram momentos de tensão. Parentes e amigos que acompanhavam a decolagem do aeroporto de Cumbica também ficaram em pânico. Depois do susto, a mãe de Félix, a professora Maria Beatriz Niemeyer, não continha a emoção ao abraçar o filho.
‘‘Tenho certeza de que Deus guiou aquele avião. Se não fosse pelas mãos Dele, poderia ter acontecido uma tragédia’’, afirmou Maria Beatriz, chorando.
O pai de Patrícia e Helena, o empresário Antônio Queiroz, também acompanhava a decolagem e disse ter percebido que algo de errado havia acontecido. ‘‘Vi que o avião tomou um rumo diferente do normal. Jamais eles poderiam decolar sem saber se a aeronave estava 100% segura.’’
Processo Os passageiros do vôo 988 da United Airlines podem processar a empresa por danos morais caso sintam que o incidente de ontem tenha lhes causado forte abalo psíquico ou trauma.
O direito é garantido pelo Código de Defesa do Consumidor, mas conseguir uma indenização não é tarefa fácil, já que será necessário comprovar o prejuízo emocional por meio de atestados médicos ou testemunhas, afirmam os advogados.
Uma ação conjunta tem mais força que uma individual, e quem não se preocupar com o valor da indenização, mas apenas em punir a empresa, pode entrar no Juizado Especial Cível, onde não é necessário advogado para causas até 20 salários mínimos.
A indenização por danos materiais é possível para casos em que o ocorrido tenha acarretado, por exemplo, a perda de um negócio. O prejuízo deve ser comprovado. (A.F)

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