Tensão nas bolsas reduz chances de queda nos juros
a vender moeda. Fechou o dia em R$ 1,782, encerrando a semana com alta de 2,3% (mas com baixa de 1,11% no ano). Os contratos futuros de dólar para maio, que refletem as expectativas do mercado para o dólar no mês de abril, fecharam com alta de 0,24%, em R$ 1,785 - sinal de que não se espera que a elevação do dólar persista. Os juros projetados nos contratos futuros e nas operações de troca de taxa pós-fixada por prefixada, os chamados swaps, inverteram a mão. O tom do mercado, que não faz duas semanas era de baixa da taxa de juros no longo prazo, passou a projetar o custo de dinheiro acima de 19% ao ano nesta semana, por causa da fusão nuclear do mercado de ações americano. No final de março (como se vê no gráfico), a chamada curva dos juros era invertida, ou seja, os prazos mais curtos, cuja taxa deveria ser maior do que a dos prazos mais longos, era superior à dos juros longos. Assim, a taxa do overnight, de negócios de um dia com Certificados de Depósito Interfinanceiro (CDI) estava em 18,38% ao ano, enquanto que o juro para daqui a um ano estava em 17 99%. No fim da semana passada, a curva ascendia novamente, com o juro de um dia ainda em 18,38%, mas o juro dito "longo" em 19 27%. Esse comportamento da curva dos juros é a prova cabal de que o mercado nativo tremeu nas bases com o cataclisma do mercado de ações americano e deixou de esperar uma política monetária mais agressiva de redução dos juros do Copom, como resume Barros, do BBV. "Diante de tanta incerteza, da mais profunda incerteza que já vimos, só resta reconsiderar tudo."Por William Salasar São Paulo, 15 (AE) - Sempre que surge uma nuvem no horizonte, eles preferem deixar tudo como está. A frase, do economista-chefe da Linear Investimentos, Marcos Mollica, exprime o sentimento dos profissionais e analistas do mercado financeiro quanto à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que nesta quarta-feira decide o que fazer com a meta da taxa básica de juros, o overnight Selic. "Nada", sentencia Octávio de Barros, economista-chefe do Banco BBV Brasil, para quem a abissal incerteza sobre a economia americana não apenas determinará a manutenção da taxa básica em 18,5% ao ano, como neutralizará a tendência de baixa, o chamado viés, adotado na reunião anterior. Mas, pondera Rubens Sardenberg, economista do Banco ABN-Amro, até sexta-feira, de forma geral, ainda havia uma certa impressão de que o estado da economia brasileira, sobretudo no campo da inflação, favorecia uma redução da taxa. "A situação interna continua boa, com perspectivas de inflação melhor do que o esperado, números fiscais positivos e a questão da safra equacionada; outros fatores são o crescimento sem indicar pressões de demanda e os preços do petróleo recuando mais rapidamente até do que o imaginado." Em particular, a inflação, preocupação central do Copom, "está excelente", com significativa desaceleração dos índices de preços no atacado e ao consumidor, destaca a Carta Semanal do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Em março de 2000, o IGP-DI, o IPCA e o IPC-Fipe registraram taxas de variação de 0,18%, 0,22% e 0,23% ante 2,53%, 0,95% e 1 48% registrados, respectivamente, em novembro de 1999. A inflação média desses índices, em 12 meses, passou de 12,10%, em novembro de 1999, para 8,81% em março. Entretanto, Carol Abreu, economista-chefe do Banco Bandeirantes, observa que, nos próximos meses, pode-se esperar certo repique da inflação, quando os preços dos alimentos se estabilizam e os preços de vestuário sobem pela entrada da moda de inverno. Além disso, os reajustes das tarifas públicas, a recuperação dos preços das commodities, o reajuste do salário mínimo e o gradual aumento da cotação do dólar, sazonalmente no último trimestre do ano, tendem a exercer pressão de alta sobre os preços domésticos nos segundo e terceiro trimestres. Só que os mercados financeiros esqueceram totalmente esse quadro positivo em meio à estonteante volatilidade da bolsa eletrônica Nasdaq e do tradicionalíssimo Dow Jones da Bolsa de Nova York. O Índice Bovespa rolou do nível dos 17.500 pontos para 14.794 na sexta, quando caiu 4,56%. Na semana, perdeu 15,53%. No acumulado do ano, registra-se 13,44%. Dólar - O dólar comercial, que parecia estar imune à fogueira das bolsas, disparou, chegando a R$ 1,79 na sexta pela manhã, levando o Banco Central a consultar os bancos, sem chegar, porém





