Londrina- Os 14 estudantes acusados pela reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL) de invadir o Pronto Socorro do Hospital Universitário (HU) no dia 20 de novembro e causar um tumulto, estourando rojões, gritando e portando bebidas alcoólicas receberam ontem à tarde seus diplomas e se tornaram médicos. A exemplo do dia 12 de dezembro, quando outros 80 formandos do curso colaram grau, o clima foi de tensão.
A cerimônia não passou de meia hora e foi realizada no anfiteatro do HU. Teve de tudo: advogada pedindo que a imprensa não fizesse imagens dos formandos, um médico exaltado, ''paredão humano'' e até uma mulher que se disse ''enviada do céu''.
Inicialmente, os alunos se retiram do auditório quando os jornalistas chegaram. A advogada que os representa, Izabel Alabarces, pediu que não fossem feitas imagens de seus clientes. ''Há uma preocupação deles de que não se majore os danos que eles vêm sofrendo nos últimos dias'', justificou.
Quando os estudantes resolveram dar início à cerimônia contaram com a solidariedade dos colegas que já haviam recebido o diploma anteriormente. Todos se levantaram no momento do juramento. O cerimonial da UEL evitou fazer a chamada nominal dos alunos, como é de praxe, para a entrega do diploma. Para preservar os 14 formandos, os demais presentes fizeram uma ''parede'' humana. Nesse momento, um médico que foi receber o diploma no lugar de seu filho chegou a ameaçar os jornalistas que tentavam registrar imagens.
Depois da entrega dos diplomas, muitas palmas e coro de ''justiça''. Mesmo após a colação de grau, os novos médicos e seus familiares continuaram em silêncio, evitando entrevistas. Ao final da cerimônia, uma mulher que se identificou como ''enviada do céu'' entregou flores aos advogados dos formandos.
O reitor Wilmar Marçal declarou que, com a colação de grau, se encerra o processo admnistrativo e disciplinar que deveria punir os envolvidos na invasão ao pronto socorro. No entanto, o processo pode ser reaberto caso algum deles volte aos bancos da UEL como aluno de pós-graduação ou residência. ''Lamento que possa haver por trás disso coorporativismo de alguns colegas deles no sentido de abafar aquilo que a opinião pública já manifestou e já os condenou. Nós cumprimos a determinação judicial e espero que a vida os ensine agora. Se a universidade fez a parte dela de informar, espero que agora a vida acabe formando eles como cidadãos e cidadãs'', disse Marçal
A formatura aconteceu depois de o juiz substituto da 5Vara Cível, Mário Nini Azzolini, conceder, na quarta-feira, liminar determinando a imediata colação de grau, sob pena de multa de R$ 500 mil caso a decisão fosse cumprida.
Foi registrado na Polícia Civil, pela direção do HU, um boletim de ocorrência que descreve o que aconteceu no Pronto Socorro do hospital em 20 de novembro. O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Barroso, não foi encontrado para comentar o caso.

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