Tensão marca encontro entre moradores e réus
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quarta-feira, 16 de abril de 1997
Agência Folha 
RIO - Houve tensão ontem nos corredores do 2º Tribunal do Júri, no Rio, quando familiares das vítimas de Vigário Geral se encontraram com 14 dos réus acusados pela chacina. Como esses réus estão respondendo ao processo em liberdade, eles ficaram circulando livremente pelo fórum, exatamente no mesmo local onde as famílias esperavam o chamado para a sessão.
Meu marido está morto, e esses caras ficam passando por aqui como se nada tivesse acontecido. Com eles está tudo bem, estão todos soltos, e nós continuamos na mesma, afirmou Maria de Lourdes Santos, mulher de uma vítima. Não houve troca de acusações ou ameaças entre as famílias das vítimas e réus, mas muitos dos moradores que aguardavam o julgamento ficaram com medo e choraram. J., sobrevivente da chacina, cobriu o rosto e deixou o corredor.
Os parentes de vítimas usavam camisetas brancas estampadas com o retrato dos mortos. O adiamento deixou as famílias entre a frustração com a demora no processo e a esperança de que novas provas facilitem as investigações. Fiquei decepcionada, não sei muito bem o que dizer. Perder um filho é como perder um pedaço da gente, é um sofrimento que não acaba nunca, então posso esperar mais um pouco, afirmou Dora Santos, mãe do mecânico Hélio, vítima da chacina.
Até ontem as famílias da vítimas não receberam as indenizações prometidas pelo governo. As ações estão sendo julgadas. João Duarte, coordenador da Casa da Paz - organização não-governamental criada depois da chacina para realizar trabalhos comunitários na favela - disse que o adiamento revela a fragilidade do trabalho de investigação realizado até agora.


